POLÍTICA

Zé Trovão chora ao comentar suspensão aprovada pelo Conselho de Ética

Parlamentares são acusados de quebra de decoro durante ocupação do plenário em agosto de 2025

Zé Trovão chora ao comentar suspensão aprovada pelo Conselho de Ética
Foto: Divulgação
Publicado em 07/05/2026 às 19:00

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) a suspensão dos mandatos dos deputados Zé Trovão, Marcel van Hattem e Marcos Pollon por 60 dias.

A decisão ocorreu após mais de nove horas de reunião e ainda poderá ser alvo de recurso na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A palavra final caberá ao Plenário da Câmara dos Deputados, que precisará aprovar a medida por maioria absoluta, equivalente a 257 deputados.

O parecer aprovado foi elaborado pelo deputado Moses Rodrigues. Segundo o relator, os parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Câmara na sessão do dia 5 de agosto de 2025.

Na ocasião, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta, retomou o controle da Presidência apenas no dia seguinte.

O relator defendeu uma punição mais severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, ampliando de 30 para 60 dias a punição inicialmente sugerida pela Mesa Diretora.

Segundo o relatório, Marcos Pollon foi responsabilizado por sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno de Hugo Motta. Marcel van Hattem teria ocupado outra cadeira da Mesa Diretora, enquanto Zé Trovão foi acusado de barrar fisicamente o acesso do presidente da Casa.

No caso de Zé Trovão, o placar foi de 15 votos favoráveis à suspensão e quatro contrários. Já Pollon e Van Hattem tiveram 13 votos favoráveis e quatro contrários cada.

Durante sua defesa, Zé Trovão se emocionou e afirmou que a suspensão afeta diretamente seus assessores e funcionários.

“O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar”, declarou o deputado catarinense.

O parlamentar também afirmou que, se necessário, voltaria a ocupar a Mesa Diretora em defesa dos eleitores que representa.

Já Marcel van Hattem classificou o processo como perseguição política e comparou a situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro.

Marcos Pollon criticou a decisão da Presidência da Câmara de não pautar o projeto de anistia e afirmou que o país vive um “estado de exceção”.

Durante os debates, o deputado Chico Alencar defendeu o relatório e afirmou que o documento separa “os golpistas dos democratas”.

Por outro lado, o deputado Sargento Gonçalves criticou o processo e afirmou que apenas três parlamentares foram escolhidos como “bodes expiatórios” entre mais de 100 deputados que participaram da ocupação.

FONTE: Agência Câmara de Notícias