POLÍTICA

Vereador Cleiton Profeta enfrenta pedido de cassação por embates verbais e caso levanta suspeitas de perseguição política

Defesa aponta irregularidades e questiona atuação de relator ligado ao partido denunciante

Vereador Cleiton Profeta enfrenta pedido de cassação por embates verbais e caso levanta suspeitas de perseguição política
Publicado em 29/03/2026 às 10:19

O vereador Cleiton Profeta enfrenta um processo de cassação de mandato na Câmara de Joinville por episódios de embates verbais em plenário, classificados como possível quebra de decoro parlamentar. O caso tem chamado atenção por não envolver acusações de corrupção ou desvio de dinheiro público, o que tem intensificado o debate sobre os reais motivos da medida.

A denúncia foi apresentada pelos diretórios municipal e estadual do Partido NOVO e aceita pela maioria dos vereadores, resultando na criação de uma comissão processante. O relator do caso é Érico Vinícius, cuja atuação passou a ser alvo de questionamentos por parte da defesa e de apoiadores do parlamentar.

Isso porque o relator é filiado ao mesmo partido que apresentou a denúncia, participou da votação que autorizou a abertura do processo e se coloca como uma das partes atingidas pelos episódios. Mesmo assim, conduz o parecer que poderá recomendar a cassação e ainda participará do julgamento em plenário, o que, segundo críticos, compromete a imparcialidade do processo.

A defesa de Profeta sustenta que há suspeição na condução dos trabalhos, além de apontar possíveis irregularidades na formação da comissão. De acordo com os advogados, membros da mesa diretora — Diego Machado, Tânia Larson e Henrique Deckmann — teriam sido excluídos do sorteio, o que contrariaria normas vigentes.

Entre os pontos levantados estão ainda a nulidade do processo por duplicidade de notificações, a suposta ilegitimidade dos partidos para apresentar a denúncia, a falta de descrição clara de infração político-administrativa e a ausência de individualização das condutas.

Outro aspecto destacado pela defesa é a inexistência de agressão física, conforme registrado em boletim de ocorrência, no qual o próprio suposto atingido afirma não acreditar ter sido agredido fisicamente.

Apesar das contestações, a comissão rejeitou todos os argumentos e deu continuidade ao processo com base no parecer preliminar do relator. Para apoiadores do vereador, a decisão reforça a percepção de que o desfecho já estaria previamente direcionado.

O caso avançou para a fase de oitivas, com depoimentos já realizados de vereadores como Lucas Souza, Instrutor Lucas, Kiko da Luz, Wilian Tonezi e Diego Machado. Uma munícipe também foi ouvida e afirmou se sentir representada pela atuação do parlamentar na cobrança por melhorias junto ao Executivo.

Ainda estão previstas novas oitivas, incluindo depoimentos de outros munícipes e da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo, etapa considerada fundamental para a elaboração do relatório final.

Paralelamente, o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais. Cleiton Profeta passou a receber apoio de diversos setores da população, inclusive de pessoas que não compartilham de suas posições ideológicas, mas que veem o processo como uma possível tentativa de punição por sua atuação firme na fiscalização.

Após a conclusão das oitivas, o relator deverá apresentar um parecer final recomendando ou não a cassação. O documento será votado em plenário, onde são necessários 13 votos favoráveis para a perda do mandato. Caso isso ocorra, o vereador também poderá ficar inelegível por oito anos.

O caso evidencia uma disputa que vai além do campo jurídico, envolvendo diferentes interpretações sobre os limites do decoro parlamentar e levantando questionamentos sobre imparcialidade e motivação política.