RISCO DE EXTINÇÃO

Um dos animais mais raros do mundo vive em SC e está em risco de extinção

Como um roedor único desafia as probabilidades e luta pela sua sobrevivência

Um dos animais mais raros do mundo vive em SC e está em risco de extinção
Publicado em 08/02/2026 às 8:17

A cerca de 8 quilômetros da costa de Florianópolis, um pequeno arquipélago abriga uma das espécies mais raras do planeta. Trata-se do preá-de-moleques-do-sul (Cavia intermedia), um roedor que vive exclusivamente nas Ilhas Moleques do Sul, área integrante do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, em Santa Catarina.

O território onde a espécie existe é extremamente limitado: aproximadamente 10 hectares, o que equivale a poucos campos de futebol. Essa condição faz com que o preá seja considerado um dos mamíferos mais raros do mundo, com uma população estimada em menos de 60 indivíduos.

Um isolamento que virou risco

O preá-de-moleques-do-sul passou milhares de anos isolado do continente, resultado de mudanças geográficas e do avanço do mar. Esse isolamento permitiu o surgimento de características próprias da espécie, diferentes de outros preás encontrados no Brasil.

No entanto, o mesmo fator que possibilitou sua evolução também se transformou em ameaça. A baixa diversidade genética e o espaço reduzido tornam a espécie altamente vulnerável a doenças, eventos climáticos extremos e qualquer alteração no ambiente.

Espécie descoberta recentemente

Embora sempre tenha existido na ilha, o preá-de-moleques-do-sul só foi reconhecido oficialmente pela ciência no final da década de 1990. Pesquisadores identificaram diferenças físicas e genéticas que confirmaram tratar-se de uma espécie única no mundo.

Desde então, o animal passou a integrar listas de espécies criticamente ameaçadas de extinção, tanto em âmbito estadual quanto nacional e internacional.

Proteção e monitoramento

As Ilhas Moleques do Sul possuem acesso restrito e são protegidas por legislação ambiental. Ainda assim, a conservação do preá exige atenção constante. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) coordena ações de monitoramento e educação ambiental voltadas à preservação da espécie.

Entre as principais medidas estão o controle rigoroso da visitação, o acompanhamento da população e estudos científicos que ajudam a entender melhor o comportamento e as necessidades do animal.

Símbolo da fragilidade da biodiversidade

O preá-de-moleques-do-sul se tornou um símbolo da fragilidade dos ecossistemas insulares e da importância da conservação ambiental. Sua existência restrita a um único local do planeta mostra como a perda de pequenos habitats pode significar o desaparecimento definitivo de uma espécie inteira.

Preservar esse mamífero não é apenas proteger um animal raro, mas garantir que um capítulo único da biodiversidade brasileira continue existindo.