DESAPARECIMENTO

Trilha, vídeos e um desaparecimento sem respostas

Caso mobiliza bombeiros, polícia e milhares nas redes sociais

Trilha, vídeos e um desaparecimento sem respostas
Publicado em 05/01/2026 às 8:29

As buscas por Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, seguem ativas no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O jovem está desaparecido desde a manhã de quinta-feira (1º), após realizar uma trilha acompanhado de uma amiga. O Corpo de Bombeiros mantém equipes na região desde o acionamento e retomou os trabalhos nas primeiras horas desta segunda-feira (5).

O caso também passou a ser investigado pela Polícia Civil. Desde o início da trilha, a amiga que acompanhava Roberto, Thayane Smith, publicou diversos vídeos nas redes sociais, registros que ganharam grande repercussão após o desaparecimento do jovem.

Nas gravações iniciais, Thayane aparece ao lado de Roberto e de outras pessoas ainda durante o deslocamento até o local, inclusive em um ônibus. Em um dos vídeos, ela comenta que o grupo pretendia passar a virada do ano acampado na montanha. Há também registros da chegada ao Pico Paraná e do avanço pela trilha.

Em um vídeo publicado no dia 1º de janeiro, Thayane relata a dificuldade do percurso. “Falaram que era 5, 6 horas de viagem. Se passaram 4 horas e chegamos na metade”, afirma. A partir desse momento, Roberto não volta a aparecer nas imagens divulgadas por ela.

Em outro registro, a jovem alerta sobre os riscos da trilha. “A trilha é muito difícil. Isso aqui é pra disposição, pra quem é aventureiro. É a nossa vida em risco”, diz. Em vídeos seguintes, ela aparece já no cume da montanha, sorrindo e descrevendo o nascer do sol.

Após o início das buscas, uma publicação feita por Thayane gerou forte repercussão. Em um story, ela compartilhou uma imagem com a frase: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”, acompanhada de um emoji de risada. Em outra postagem, escreveu: “Aprendizado, nunca mais andar com alguém que não é experiente em trilhas, não é seu estilo de vida e não tem pique para isso”.

Repercussão e pedidos de cautela

Diante da repercussão, familiares de Roberto pediram cautela quanto a acusações e especulações. Em publicação nas redes sociais, o primo do jovem, Raul Farias Batista, afirmou que o foco deve permanecer nas buscas e no trabalho das autoridades. “A Polícia Civil já está investigando o caso e confiamos no trabalho deles. Temos fortes motivos para acreditar que o Betinho está ‘apenas’ perdido e com vida no meio da mata”, escreveu.

A família também criou uma página oficial para centralizar informações sobre o desaparecimento, que já reúne mais de 160 mil seguidores. Em publicações recentes, os parentes alertaram sobre a criação de perfis falsos, divulgação de informações inverídicas e tentativas de golpes.

Segundo a família, um advogado já foi contratado para adotar as medidas legais cabíveis. Denúncias devem ser feitas contra contas que solicitem doações ou Pix em nome de Roberto sem autorização.

Em outra postagem, os familiares reforçaram que as buscas continuam e pediram apoio de montanhistas experientes. “As buscas ainda estão ativas e temos fé de encontrá-lo. A equipe de bombeiros do GOST e do COSMO estão nos ajudando, mas a região do Pico Paraná é muito grande e de difícil acesso e visibilidade”, diz o texto.

Apelo público e detalhes da trilha

O desaparecimento também mobilizou familiares de vítimas de acidentes semelhantes. Mariana Marins, irmã de Juliana Marins — jovem que morreu em junho de 2025 após cair de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia — fez um apelo público. “Jamais deixem uma pessoa sozinha. Ninguém pode ficar para trás. A vida de todo mundo que está nessa trilha importa”, afirmou.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, Roberto e a amiga iniciaram a subida na tarde do dia 31 de dezembro. Durante o trajeto, o jovem teria passado mal e vomitado algumas vezes. A dupla chegou ao topo por volta das 4h da manhã de quinta-feira e encontrou outros dois grupos no local.

Cerca de duas horas depois, iniciaram a descida acompanhados de um dos grupos, mas pararam em um ponto da trilha. Pouco tempo depois, o segundo grupo que havia permanecido no cume passou pelo local onde Roberto teria ficado, mas não o encontrou.

Ainda na tarde de quinta-feira, os bombeiros foram acionados e deram início às buscas, que seguem concentradas em áreas de mata fechada e de difícil acesso.

Nas redes sociais, o perfil de Roberto indica que ele atuava como técnico de segurança do trabalho, bombeiro civil, socorrista resgatista, consultor financeiro de investimentos e instrutor de NR-11.