FALÊNCIA

Tradicional malharia de Gaspar encerra atividades após meio século e pede falência

Companhia alegou colapso financeiro e inviabilidade de recuperação

Tradicional malharia de Gaspar encerra atividades após meio século e pede falência
Foto: Divulgação
Publicado em 07/04/2026 às 17:35

Uma das mais tradicionais empresas do setor têxtil do Vale do Itajaí, a Malhas Isensee, de Gaspar, teve sua falência decretada pela Justiça, encerrando uma trajetória de aproximadamente meio século de atuação.

A decisão foi assinada pelo juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Jaraguá do Sul, e publicada no fim de março.

O pedido de autofalência havia sido protocolado no início do ano, quando a própria empresa reconheceu a impossibilidade de reverter sua situação financeira. No documento apresentado à Justiça, a malharia afirmou ter enfrentado uma crise estrutural que levou ao colapso de suas operações.

Entre os fatores apontados estão a queda significativa na receita nos últimos anos, o aumento dos custos operacionais, a alta carga tributária, a retração da demanda interna e a concorrência com o mercado externo. A empresa também relatou dificuldades severas de caixa, patrimônio comprometido por penhoras e a incapacidade de cumprir obrigações financeiras.

Diante desse cenário, a companhia descartou a possibilidade de recuperação judicial, alegando inviabilidade econômica para manter suas atividades.

Fundada em 1975, a Malhas Isensee atuava principalmente nos segmentos de moda infantil e juvenil e chegou a empregar dezenas de trabalhadores ao longo de sua história.

Com a falência decretada, os bens da empresa, incluindo imóveis, máquinas e equipamentos, deverão ser levantados para posterior leilão, como forma de quitar parte das dívidas existentes.

O advogado Cleber Gleideson da Costa, nomeado como administrador judicial do caso, afirmou que há expectativa de que, ao menos, os débitos trabalhistas possam ser pagos com os recursos obtidos no processo.

O encerramento das atividades da empresa representa mais um impacto no tradicional polo têxtil da região, que ao longo dos anos tem enfrentado desafios estruturais e mudanças no mercado.