CRISE

Topázio deixa PSD em meio à crise interna e chama sigla de “refém de projeto sem sentido”

Decisão ocorre após pressão interna e divergências sobre candidatura ao governo do Estado

Topázio deixa PSD em meio à crise interna e chama sigla de “refém de projeto sem sentido”
Foto: Diorgenes Pandini
Publicado em 19/03/2026 às 7:23

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, anunciou nesta quinta-feira (19) sua desfiliação do PSD, em meio a uma crise interna que se intensificou nos últimos dias no partido em Santa Catarina.

A decisão ocorre após o ultimato do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que condicionou a manutenção de sua pré-candidatura ao governo do Estado à saída ou expulsão de Topázio da legenda. Diante do cenário, o prefeito da capital optou por deixar o partido de forma definitiva.

Em carta aberta, Topázio fez duras críticas à condução interna do PSD, afirmando que a sigla se tornou “refém de um projeto sem sentido”. Ele também alertou para possíveis impactos negativos da atual estratégia partidária nas eleições proporcionais, especialmente na disputa por vagas na Câmara dos Deputados.

O prefeito defendeu ainda a união da direita em torno do governador Jorginho Mello e reiterou apoio à sua reeleição. Segundo ele, o atual governo apresenta resultados concretos e forte aprovação popular, o que justificaria a manutenção da aliança.

Outro ponto de divergência citado foi a decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de lançar candidatura própria à Presidência da República, com possível indicação do governador do Paraná, Ratinho Junior. Topázio afirmou que o partido deveria apoiar o senador Flávio Bolsonaro, defendendo maior alinhamento entre as forças de direita no país.

A crise interna também envolveu um pedido formal de expulsão protocolado pelo vereador Mauro Zandavalli. Nos bastidores, o presidente estadual do partido, Eron Giordani, chegou a sinalizar a possibilidade de uma licença para conter o conflito, mas a saída definitiva acabou sendo a alternativa escolhida.

Topázio havia ingressado no PSD em 2022, já como prefeito de Florianópolis, dentro de um acordo político que envolvia o apoio à candidatura de Gean Loureiro ao governo do Estado. Em 2024, foi reeleito ainda no primeiro turno, com 58,4% dos votos, com apoio do PL e do governador Jorginho Mello.

Nos bastidores, a desfiliação é vista como mais um capítulo da disputa interna no PSD catarinense, que vive um momento de indefinição sobre seu rumo político para 2026. A decisão de Topázio reforça o realinhamento de forças no estado e deve impactar diretamente as articulações partidárias, especialmente no campo da direita, onde alianças e candidaturas começam a se consolidar.