AMEAÇA
Tarifaço de Trump ameaça exportações de Santa Catarina e pode causar desemprego
Indústrias catarinenses temem perder competitividade com nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um tarifaço de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil pegou empresários e industriais de Santa Catarina de surpresa e pode gerar impactos severos na economia do estado, que tem os EUA como principal mercado de exportação.
O presidente eleito da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, afirmou que a nova taxação, se realmente entrar em vigor, ameaça a competitividade das indústrias catarinenses, que nos últimos anos investiram fortemente em modernização e expansão no mercado norte-americano.
— Com um tarifaço desses, perdemos toda a competitividade que conquistamos ao longo dos anos. Sem poder exportar aos EUA, não há outro mercado que absorva o volume que produzimos. O mercado interno também não comporta tudo isso — lamentou Seleme.
A nova tarifa foi anunciada nesta quarta-feira (9) e está prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto. A medida pode afetar setores inteiros, como o de móveis de madeira, um dos pilares econômicos da região de São Bento do Sul. Para o vice-presidente da Fiesc no Planalto Norte, Arnaldo Huebl, o setor não terá como ser competitivo:
— A tarifa de 50% inviabiliza totalmente nossas vendas. A China vai sair mais barata do que nós e ninguém mais vai exportar. Isso gera desemprego imediato, alertou.
Os empresários defendem que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento negociem com o governo norte-americano para reverter a decisão. Trump, no final do anúncio, sinalizou disposição para negociar, o que abre uma porta de esperança para o setor industrial brasileiro.
EUA: principal destino das exportações catarinenses
Santa Catarina exportou US$ 1,7 bilhão aos Estados Unidos em 2024, com destaque para produtos industrializados de alto valor agregado, como:
- Produtos de madeira e móveis
- Motores elétricos e autopeças
- Compressores, transformadores e revestimentos cerâmicos
- Iates e bombas de líquidos
- Produtos do agronegócio, como carne suína e suco de frutas
Caso não haja acordo, a queda nas exportações será inevitável e poderá trazer consequências graves para a economia catarinense, incluindo demissões em massa.



