NEPOTISMO?

Supremo abre caminho para parentes ocuparem secretarias e ministérios

Julgamento indica mudança importante no entendimento sobre o alcance da proibição de nepotismo no serviço público

Supremo abre caminho para parentes ocuparem secretarias e ministérios
Foto: Luiz Silveira, STF
Publicado em 04/11/2025 às 6:00

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (23) para permitir que parentes de autoridades sejam nomeados para cargos políticos, como o comando de secretarias estaduais e municipais ou ministérios. A decisão vale quando a pessoa indicada preencher os requisitos previstos em lei, afastando a configuração de nepotismo em tais casos.

O julgamento analisa um recurso que discute se essas nomeações ferem o princípio constitucional da moralidade administrativa. Até o momento, a maioria dos ministros se manifestou no sentido de que os cargos de natureza política não se enquadram na proibição de nepotismo, que é aplicável apenas às funções administrativas.

A votação ainda não foi finalizada, e o julgamento deve ser retomado na próxima semana, quando os demais ministros apresentarão seus votos e será formulada a tese definitiva que orientará futuras decisões judiciais sobre o tema.


🔍 O que continua proibido

A decisão não altera as regras gerais sobre nepotismo na administração pública. Atualmente, a nomeação de cônjuges, companheiros e parentes até o terceiro grau para cargos em comissão ou funções de confiança continua configurando violação à Constituição, podendo ser enquadrada como improbidade administrativa — conduta sujeita a punições previstas em lei.

A diferença é que o STF reconheceu que, quando se trata de cargos essencialmente políticos, como secretarias e ministérios, essas nomeações não têm o mesmo caráter de nepotismo, pois envolvem critérios de escolha política e de confiança.


🗣️ Impacto e próximos passos

A decisão representa uma mudança significativa no entendimento jurídico sobre o alcance do nepotismo, e deve impactar a estrutura de governos estaduais e municipais em todo o país.

Com a maioria já formada, a expectativa é que o novo entendimento seja consolidado nos próximos dias, quando o julgamento for concluído no plenário do Supremo.