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Startup catarinense quer transformar ciência em negócios bilionários

A Vesper Biotechnologies transforma pesquisas de ponta em empresas e promete revolucionar saúde e agricultura

Startup catarinense quer transformar ciência em negócios bilionários
Publicado em 02/10/2025 às 6:01

O Brasil tem tradição em ciência de ponta, mas ainda enfrenta um desafio histórico: transformar descobertas acadêmicas em negócios de impacto global. Quem busca romper essa barreira é a Vesper Biotechnologies, venture builder catarinense fundada há dois anos em Florianópolis, que já captou R$ 200 milhões e lançou oito startups de biotecnologia.

A Vesper atua com um modelo de negócios inovador: em vez de apenas financiar, ela participa ativamente da construção das empresas, oferecendo estrutura financeira, operacional e científica. Hoje, conta com cerca de 60 PhDs em seu time, vindos de centros de pesquisa de excelência nos Estados Unidos e Europa. A ideia é simples: permitir que os cientistas se concentrem no que fazem de melhor — pesquisa e inovação — enquanto recebem suporte para transformar descobertas em soluções aplicáveis.

Entre as empresas criadas está a Symbiomics, que desenvolve biológicos para substituir fertilizantes químicos e atraiu investimento da multinacional Corteva, gerando um retorno 23 vezes maior em apenas três anos. Outro destaque é a Aptah Bio, voltada ao desenvolvimento de terapias de RNA para câncer e doenças neurodegenerativas. Já a Vyro Bio aposta em terapias celulares contra doenças graves e vem sendo considerada uma promessa no campo da medicina regenerativa.

Atualmente, a Vesper possui mais de 30 produtos em desenvolvimento, abrangendo áreas como diagnóstico molecular e biotecnologia agrícola. O portfólio também conta com startups como a Reddot, que atua em diagnósticos de precisão, e a Cellertz, focada em terapias celulares para doenças complexas.

A relevância da empresa já atraiu nomes como a geneticista Mayana Zatz, que integra o conselho científico, além de executivos internacionais experientes em IPOs de biotecnologia, como Rogério Vivaldi, baseado em Boston.

O momento também é oportuno. O setor de biotecnologia global vive a expectativa do patent cliff — período em que patentes de grandes medicamentos estão prestes a expirar. Isso abre espaço para novas soluções, criando uma janela única para empresas como a Vesper.

Segundo o fundador Gabriel Bottós, a estratégia é clara: “Nos próximos cinco anos, daqui sairão soluções capazes de gerar um impacto positivo significativo para a sociedade e para o planeta”.

Com esse modelo, Florianópolis se firma como um novo polo latino-americano de biotecnologia, atraindo cientistas e investimentos e posicionando Santa Catarina no mapa global da inovação.