TÊXTIL
Setor têxtil busca apoio de Alckmin contra medida que pode gerar perdas de até R$ 3 bilhões
Representantes do setor foram a Brasília para tentar barrar aplicação de tarifa sobre fio importado

Representantes da indústria têxtil de Santa Catarina estiveram em Brasília nesta semana para discutir os impactos de uma possível medida que pode afetar diretamente o setor. A comitiva se reuniu com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para apresentar preocupações sobre a aplicação de direitos antidumping sobre a importação de fios texturizados de poliéster provenientes da China, prevista para abril de 2026.
A mobilização foi liderada pelo Sintex, que representa empresas do Vale do Itajaí, um dos principais polos têxteis do país. Segundo o setor, a medida pode provocar um impacto econômico significativo, com prejuízos estimados em até R$ 3 bilhões por ano.
De acordo com os empresários, a aplicação da tarifa beneficiaria apenas uma fabricante instalada no Brasil, que possui capacidade para atender cerca de 25% da demanda nacional — aproximadamente 80 mil toneladas anuais. No entanto, o consumo total no país gira em torno de 305 mil toneladas, o que manteria a dependência de importações.
Outro ponto levantado pelo setor é o possível efeito cascata nos preços. Por ser um insumo essencial na produção de vestuário, a taxação do fio poderia elevar os custos ao longo de toda a cadeia produtiva, impactando diretamente o consumidor final e pressionando a inflação.
O diretor-executivo do Sintex, Renato Valim, destacou que a alíquota pode chegar a 35%, superando a aplicada sobre tecidos, atualmente em 26%. Segundo ele, essa inversão eliminaria a lógica de proteção à indústria nacional, favorecendo a entrada de produtos acabados importados.
Ainda conforme o setor, enquanto a medida poderia beneficiar uma única empresa responsável por cerca de 200 empregos, há o risco de impacto negativo em uma cadeia que movimenta aproximadamente 1,4 milhão de postos de trabalho em todo o Brasil.
Durante a agenda na capital federal, os representantes também se reuniram com o senador Esperidião Amin, que atua como vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Têxtil.



