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Setor têxtil busca apoio de Alckmin contra medida que pode gerar perdas de até R$ 3 bilhões

Representantes do setor foram a Brasília para tentar barrar aplicação de tarifa sobre fio importado

Setor têxtil busca apoio de Alckmin contra medida que pode gerar perdas de até R$ 3 bilhões
Publicado em 22/03/2026 às 11:58

Representantes da indústria têxtil de Santa Catarina estiveram em Brasília nesta semana para discutir os impactos de uma possível medida que pode afetar diretamente o setor. A comitiva se reuniu com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para apresentar preocupações sobre a aplicação de direitos antidumping sobre a importação de fios texturizados de poliéster provenientes da China, prevista para abril de 2026.

A mobilização foi liderada pelo Sintex, que representa empresas do Vale do Itajaí, um dos principais polos têxteis do país. Segundo o setor, a medida pode provocar um impacto econômico significativo, com prejuízos estimados em até R$ 3 bilhões por ano.

De acordo com os empresários, a aplicação da tarifa beneficiaria apenas uma fabricante instalada no Brasil, que possui capacidade para atender cerca de 25% da demanda nacional — aproximadamente 80 mil toneladas anuais. No entanto, o consumo total no país gira em torno de 305 mil toneladas, o que manteria a dependência de importações.

Outro ponto levantado pelo setor é o possível efeito cascata nos preços. Por ser um insumo essencial na produção de vestuário, a taxação do fio poderia elevar os custos ao longo de toda a cadeia produtiva, impactando diretamente o consumidor final e pressionando a inflação.

O diretor-executivo do Sintex, Renato Valim, destacou que a alíquota pode chegar a 35%, superando a aplicada sobre tecidos, atualmente em 26%. Segundo ele, essa inversão eliminaria a lógica de proteção à indústria nacional, favorecendo a entrada de produtos acabados importados.

Ainda conforme o setor, enquanto a medida poderia beneficiar uma única empresa responsável por cerca de 200 empregos, há o risco de impacto negativo em uma cadeia que movimenta aproximadamente 1,4 milhão de postos de trabalho em todo o Brasil.

Durante a agenda na capital federal, os representantes também se reuniram com o senador Esperidião Amin, que atua como vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Têxtil.