INDAIAL
Sessão da Câmara é marcada por cobranças, defesa e manifestações de apoio ao vereador Dudu Cunha
Tema dominou os pronunciamentos da noite e provocou diferentes posicionamentos entre os vereadores

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Indaial, realizada na noite desta terça-feira (7), foi marcada por intensos debates sobre a Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). O assunto dominou a Palavra Livre e provocou manifestações de diferentes vereadores, que apresentaram posicionamentos distintos sobre a investigação envolvendo o vereador Carlos Eduardo Cunha (MDB), conhecido como Dudu Cunha.
O primeiro a abordar o tema foi o vereador Diogo Pinho. Durante seu pronunciamento, ele citou reportagens publicadas por veículos de comunicação sobre a investigação e afirmou que, como vereador, também possui o dever de fiscalizar a conduta de agentes públicos.
Diogo destacou que o caso ganhou repercussão estadual e defendeu que, diante da investigação, Dudu Cunha deveria solicitar o afastamento temporário do cargo até que os fatos sejam esclarecidos.
Segundo o parlamentar, a medida preservaria tanto a imagem da Câmara quanto o trabalho legislativo. Ele afirmou ainda que, enquanto permanecer no cargo sem um afastamento voluntário, passará a olhar com desconfiança para as manifestações e fiscalizações apresentadas pelo colega na tribuna.
Na sequência, o vereador Flávio Molinari também utilizou a Palavra Livre para tratar do assunto.
Ele afirmou que não estava na tribuna para condenar nem inocentar o vereador investigado, mas ressaltou que a operação levou o nome de Indaial para a imprensa estadual e nacional.
Flávio disse estar preocupado com o silêncio de parte dos parlamentares e defendeu que a Mesa Diretora busque esclarecimentos junto ao Ministério Público. O vereador também sugeriu que Dudu Cunha peça o afastamento temporário, argumentando que isso permitiria ao parlamentar concentrar esforços na própria defesa e, caso comprove sua inocência, retornar ao Legislativo “de cabeça erguida”.
Durante seu pronunciamento, Flávio relembrou que, em outras situações envolvendo investigações, houve cobranças públicas dentro da própria Câmara antes mesmo da conclusão dos processos, defendendo que o mesmo critério seja adotado neste caso.
Após as manifestações, o vereador Dudu Cunha voltou à tribuna para responder aos colegas.
Ele afirmou que todas as questões serão esclarecidas e disse confiar na Justiça. Segundo o parlamentar, não existe processo contra sua empresa nem contra sua pessoa neste momento, apenas uma investigação em andamento.
Dudu declarou que sua família está enfrentando dificuldades em razão da repercussão do caso, mas garantiu que continuará exercendo normalmente o mandato.
O vereador afirmou ainda que, caso tenha cometido qualquer irregularidade e venha a ser condenado, será o primeiro a deixar a Câmara. Entretanto, enquanto isso não acontecer, disse que seguirá trabalhando normalmente.
Durante sua fala, Dudu também classificou as críticas como “politicagem” e afirmou que parte da repercussão do caso possui motivação política.
Na sequência, a vereadora Elaine Pickler manifestou apoio ao colega.
Ela desejou força ao vereador diante do momento vivido e afirmou esperar que ele mantenha a cabeça erguida, continue exercendo seu trabalho parlamentar e siga apresentando propostas para o município enquanto os fatos são apurados.
Também durante a Palavra Livre, o vereador Lúcio Vanderlinde afirmou que, até o momento, não existem documentos oficiais envolvendo a Câmara que justifiquem qualquer julgamento antecipado. Segundo ele, situações como uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) possuem instrumentos legais para análise de documentos e responsabilizações, o que, em sua avaliação, é diferente do atual momento da investigação.
Durante sua manifestação, Lúcio aproveitou para fazer uma reflexão mais ampla sobre a corrupção na política. O vereador afirmou que casos de corrupção já envolveram políticos e empresários de diferentes partidos ao longo da história e defendeu que a prática não possui ideologia nem bandeira partidária, mas está relacionada ao caráter de quem participa desses esquemas.
O parlamentar também ressaltou que a participação de pessoas honestas na política é fundamental para combater a corrupção e promover mudanças. Dirigindo-se ao vereador Dudu Cunha, afirmou que o tempo e as investigações mostrarão a verdade dos fatos. Segundo Lúcio, caso haja irregularidades, elas deverão ser devidamente responsabilizadas, mas, até que isso ocorra, é necessário respeitar o devido processo legal.
Ao encerrar sua fala, o vereador defendeu o fortalecimento do combate à corrupção, afirmou que tanto agentes públicos quanto empresários envolvidos em ilícitos devem responder por seus atos e fez um apelo para que a população, especialmente os jovens, participe mais da política e cobre maior responsabilidade e coerência dos representantes eleitos.
Encerrando a discussão sobre o tema, o presidente da Câmara, vereador Valentim Blasius, rebateu críticas de que a Mesa Diretora estaria em silêncio.
Segundo ele, a Câmara de Vereadores não recebeu qualquer documento, notificação ou solicitação oficial do Ministério Público relacionada ao caso.
Valentim afirmou que, sem uma comunicação oficial, não cabe ao Legislativo tomar qualquer medida institucional baseada apenas nas informações divulgadas pela imprensa.
O presidente também manifestou apoio ao vereador Dudu Cunha, destacando que todo cidadão possui direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Segundo ele, somente após eventual condenação seria possível discutir outras providências. Valentim afirmou ainda que, caso haja comprovação de irregularidades futuramente, também não defenderá qualquer tipo de proteção ao parlamentar.
As manifestações evidenciaram posições divergentes entre os vereadores sobre a condução do caso. Enquanto parte dos parlamentares defendeu o afastamento temporário como forma de preservar a imagem da Câmara, outros ressaltaram que qualquer medida deve respeitar o devido processo legal e a presunção de inocência até eventual decisão da Justiça.
Foto: Câmara de Vereadores de Indaial





