EXPLORAÇÃO

SC registra aumento de 35% nos casos de exploração sexual infantil em 2024

Estado vai na contramão da média nacional, que apresentou queda de 7,9% nos registros

SC registra aumento de 35% nos casos de exploração sexual infantil em 2024
Foto: Divulgação
Publicado em 14/08/2025 às 12:32

Santa Catarina registrou um preocupante aumento de 35,3% nos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes em 2024, passando de 41 ocorrências em 2023 para 56 neste ano. O crescimento coloca o Estado na sexta maior variação entre as unidades da federação, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho.

Enquanto no cenário nacional houve queda de 7,9% nos registros, em SC a elevação foi puxada principalmente pela faixa etária de 14 a 17 anos, que quase dobrou o número de ocorrências (de 20 para 40). Já entre crianças de 5 a 9 anos, o aumento foi de 293,5% — de 1 caso em 2023 para 4 em 2024 —, o maior salto proporcional do país.

Apesar da alta, a taxa estadual (3 casos para cada 100 mil habitantes) coloca SC em 10º lugar no ranking nacional, empatando com Mato Grosso. O Amapá lidera com 10,5 casos por 100 mil, seguido por Roraima (9,5) e Piauí (5,6).

O assunto ganhou destaque após o influenciador Felca denunciar, em vídeo, a “adultização” de menores nas redes sociais. Entre os citados está Hytalo Santos, investigado pelo Ministério Público da Paraíba por suposta exploração sexual de adolescentes. Segundo a denúncia, ele teria oferecido benefícios a familiares em troca da emancipação dos jovens que apareciam em seus vídeos. O influenciador nega as acusações.

Para especialistas, a internet é um ambiente de risco para crianças e adolescentes, que muitas vezes não têm maturidade para identificar perigos. A pesquisadora Lynara Ojeda, da UFSC, defende que pais monitorem o uso das redes sociais e que o Estado e as plataformas criem regras para proteger os menores.

“Como vemos tantos vídeos de crianças e adolescentes em dancinhas e desafios sem fiscalização? É preciso criar um regramento para que esses espaços sejam protetivos e não nocivos”, alerta.