TECNOLOGIA

Santa Catarina consolida força tecnológica com 40 anos da ACATE

Florianópolis segue como polo de inovação e atrai nômades digitais

Santa Catarina consolida força tecnológica com 40 anos da ACATE
Foto: Divulgação
Publicado em 10/04/2026 às 17:30

A Associação Catarinense de Tecnologia celebrou 40 anos de atuação no último dia 1º de abril consolidando seu papel estratégico no desenvolvimento do setor de inovação em Santa Catarina. Ao longo de quatro décadas, a entidade se tornou peça-chave na articulação entre empresas, instituições de ensino e poder público, contribuindo para transformar o estado em um dos principais polos tecnológicos do Brasil.

Em entrevista, o presidente da ACATE, Diego Brites Ramos, destacou que o crescimento do setor é resultado de uma combinação entre empreendedorismo, investimentos contínuos e integração entre diferentes atores. Segundo ele, esse modelo permitiu a consolidação de um ambiente favorável à inovação e à escalabilidade de negócios.

Dados do Observatório da entidade mostram a dimensão desse avanço: Santa Catarina reúne atualmente 29,3 mil empresas de tecnologia, com faturamento de R$ 42,5 bilhões, mais de 100 mil empregos gerados e participação de 7,75% no PIB estadual.

Apesar do cenário positivo, um dos principais desafios segue sendo a formação de mão de obra qualificada. A projeção aponta para quase 100 mil novas vagas no setor entre 2025 e 2027, especialmente para desenvolvedores. Para enfrentar essa demanda, a ACATE tem investido em programas que conectam educação e mercado, além de atuar em parceria com empresas, instituições e o governo para ampliar a qualificação profissional.

Entre as iniciativas está o programa SCTEC, que já conta com cerca de 50 mil inscritos em mais de 80% dos municípios catarinenses, reforçando a estratégia de formação em larga escala.

Outro destaque é o ecossistema de Florianópolis, reconhecida como a “Ilha do Silício” e considerada a capital nacional das startups. A cidade apresenta uma das maiores densidades de empresas de tecnologia do país, com cerca de 12 negócios por mil habitantes.

Além da consolidação interna, Florianópolis também vem se destacando internacionalmente ao atrair nômades digitais. Somente em 2025, mais de 5,6 mil profissionais estrangeiros escolheram a cidade como base de trabalho remoto, representando crescimento superior a 200% em relação a 2018 e gerando impacto anual de R$ 815 milhões na economia local.

Segundo o levantamento, a maioria desses profissionais vem dos Estados Unidos (61%), seguida por Canadá (8%) e Reino Unido (6%). A expectativa é que esse número ultrapasse 15 mil nômades digitais por ano até 2030, com impacto estimado em R$ 1,5 bilhão.

Para os próximos anos, o desafio será garantir a sustentabilidade desse crescimento, com investimentos em infraestrutura, acesso a capital, internacionalização e, principalmente, na formação e retenção de talentos. A expansão do setor para outras regiões do estado, como Vale do Itajaí, Serra, Norte, Sul e Oeste, também aparece como estratégia para fortalecer a diversificação econômica catarinense.