ESPECIAL DIA DO PROFESSOR

Sandro Gurjão: Ele trocou a Educação Física pela batuta, e hoje rege corações em Indaial

A história inspiradora do professor que reencontrou na música o verdadeiro sentido de ensinar

Sandro Gurjão: Ele trocou a Educação Física pela batuta, e hoje rege corações em Indaial
Publicado em 14/10/2025 às 6:45

Neste Especial do Dia dos Professores, o Mais Notícias do Vale apresenta a trajetória inspiradora de Sandro Prince Saraiva Gurjão, professor de bandas e fanfarras nas escolas Úrsula Kroeger e Colégio Municipal de Indaial.
Entre ensaios, viagens e muitas conquistas, Sandro mostra que a música vai muito além das notas — ela é uma poderosa ferramenta de transformação.

MNDV: Sandro, conte um pouco sobre como começou sua história com a música e o que o levou a se tornar professor de bandas e fanfarras.
Sandro:
Minha trajetória na música começou cedo, aos 9 anos, no interior do Pará, em São Caetano de Odivelas. Lá iniciei com aulas de teoria e, algum tempo depois, conheci o saxofone, instrumento ao qual me dediquei por anos na banda da cidade. Por alguns contratempos, precisei parar de tocar e me formei em Educação Física em 2014. Em 2021, vim para Santa Catarina e, em 2022 — por destino ou acaso — voltei à música, agora como professor. Em 2023 me formei em Música e fui efetivado aqui em Indaial.

MNDV: Quais são os maiores desafios e as maiores recompensas de trabalhar com alunos em projetos musicais dentro das escolas?
Sandro:
Os desafios são muitos, especialmente a manutenção dos instrumentos, que tem um custo alto para as APPs. Só a limpeza de um instrumento de sopro custa em média 400 reais. Mas a maior recompensa é ver o brilho nos olhos das crianças durante as apresentações. O sentimento de pertencimento é gigantesco — isso não tem preço.

MNDV: Você acredita que a música transforma a vida dos jovens? Pode compartilhar algum exemplo marcante?
Sandro:
Sem dúvida. A música transforma a vida dos jovens — e das famílias também. Meu próprio pai, por exemplo, tinha preconceito com músicos, achava que todos eram boêmios. Depois que me viu tocando com a banda, mudou completamente de ideia e se tornou meu maior incentivador.

MNDV: Como é ver suas bandas representando Indaial em eventos e competições?
Sandro:
É uma sensação incrível! Fico muito orgulhoso de ver meus alunos representando Indaial. São momentos que marcam a vida. No último festival que participamos, em Sengés (PR), viajamos por 9 horas e, mesmo cansados, eles deram um show! Voltamos pra casa com quatro troféus de 1º lugar.

MNDV: Na sua opinião, qual é o papel da educação musical na formação do cidadão?
Sandro:
É fundamental. Mesmo quem não segue carreira leva valores que ficam pra vida toda — disciplina, respeito, trabalho em grupo e sensibilidade. A música forma pessoas melhores.

MNDV: O que mais te motiva a continuar lecionando e conduzindo as fanfarras?
Sandro:
Ver os resultados que o trabalho traz. E não falo só de troféus, mas de vidas transformadas. Saber que fiz diferença na vida de alguém é o que me faz continuar.

MNDV: Que mensagem você deixaria para seus alunos e para os novos professores?
Sandro:
Aos alunos, digo que sigam firmes. A música exige disciplina, mas devolve o dobro em emoção. Aos professores, que não tenham medo. Educar é como reger uma banda — cada aluno tem seu próprio timbre, e o papel do professor é equilibrar tudo para que soe em harmonia.

MNDV: E, para fechar, como você define o sentimento de ser professor?
Sandro:
Ser professor é enxergar um diamante bruto onde muitos só veem pedras.

A história de Sandro é um retrato fiel do poder transformador da educação. Entre notas e sorrisos, ele segue regendo não apenas bandas, mas sonhos — provando que ensinar é, acima de tudo, acreditar no talento e na essência de cada aluno.