ELEIÇÕES 2026

Saída de Ratinho Junior enterra terceira via e mantém disputa entre extremos

Cenário aponta disputa novamente centrada entre PT e bolsonarismo

Saída de Ratinho Junior enterra terceira via e mantém disputa entre extremos
Foto: Gerada por IA
Publicado em 27/03/2026 às 17:11

A decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior, de não avançar em uma candidatura à Presidência da República enfraquece, ao menos neste momento, qualquer tentativa consistente de construção de uma terceira via no cenário político nacional.

Sem um nome competitivo capaz de unificar esse campo, outras lideranças como Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Romeu Zema, caso confirmem participação, tendem a se posicionar dentro de um espectro já ocupado pela direita consolidada. Esse espaço segue fortemente influenciado pelo bolsonarismo, que tem no senador Flávio Bolsonaro uma de suas principais referências.

Nesse contexto, esses nomes não configuram, até o momento, uma alternativa sólida para o eleitorado que rejeita tanto o Partido dos Trabalhadores quanto o grupo político ligado à família Bolsonaro.

O histórico recente reforça esse diagnóstico. Em julho de 2021, ainda distante das eleições de 2022, pesquisas indicavam que cerca de 30% do eleitorado buscava uma opção fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. No entanto, esse espaço político não foi ocupado de forma consistente.

O resultado foi uma eleição marcada mais pela rejeição do adversário do que por adesão a propostas. E os dados mais recentes sugerem a repetição desse padrão. Levantamento da AtlasIntel aponta um cenário competitivo, com Lula à frente no primeiro turno, mas enfrentando dificuldades em simulações de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.

Ainda que seja cedo para projeções definitivas, o desenho atual indica uma tendência clara de manutenção da polarização. De um lado, eleitores que votam em Lula como forma de impedir o retorno de um candidato associado ao bolsonarismo. De outro, votos direcionados contra o PT, mesmo entre aqueles que não demonstram plena adesão ao campo conservador.

Nesse ambiente, a chamada terceira via não desaparece por falta de demanda, mas sim pela ausência de uma liderança capaz de consolidar esse espaço político.

Um elemento novo surge nesse cenário com o desempenho de Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre. Segundo a pesquisa Atlas/Intel, ele aparece com 4,4% das intenções de voto, à frente de Caiado e Zema.

O crescimento de Renan Santos chama atenção especialmente entre os jovens. De acordo com o levantamento, nessa faixa etária, o nome saiu de 15% em fevereiro para 24% em março, indicando potencial de expansão, sobretudo com um discurso baseado no antipetismo e no antibolsonarismo.

Apesar disso, o cenário geral ainda aponta para uma disputa dominada pelos polos tradicionais, com dificuldades concretas para o surgimento de uma alternativa viável fora da atual lógica de polarização.