TRAGÉDIA
Queda de avião na Índia que matou 260 pode ter sido provocada intencionalmente, aponta relatório
Investigação revela desligamento manual do combustível segundos antes da tragédia; hipótese de falha humana ganha força

O relatório preliminar sobre a queda do voo AI-112 da Air India, que matou 260 pessoas no mês passado, aponta uma possível ação proposital por parte de um dos pilotos. A investigação revelou que os dois botões responsáveis pelo fornecimento de combustível aos motores foram manualmente desligados 29 segundos antes da aeronave atingir o solo.
Esses comandos são protegidos por travas, exigindo duas ações específicas para serem ativados — o que praticamente elimina a possibilidade de acionamento acidental. A caixa preta registrou um diálogo tenso entre os pilotos instantes antes do impacto, com um deles questionando: “Por que você cortou o combustível?”, ao que o outro responde: “Eu não fiz isso”. A gravação não deixa claro qual dos dois — comandante ou copiloto — falou cada frase.
A aeronave, um Boeing 787-8, caiu pouco após decolar do aeroporto de Ahmedabad, em 12 de junho. O destino era Londres, mas a tragédia interrompeu o trajeto ao atingir um prédio residencial que abrigava estudantes de medicina. Entre as vítimas, estavam 169 passageiros indianos, além de britânicos, portugueses e um canadense. No solo, mais 29 pessoas perderam a vida. Apenas um passageiro sobreviveu.
O relatório descarta falha estrutural ou técnica, como suspeitas iniciais sobre os flaps. Também não houve qualquer recomendação à Boeing ou à fabricante dos motores. O combustível foi testado e estava em conformidade. Assim, os investigadores agora concentram esforços na hipótese de falha ou sabotagem humana.
O relatório final ainda não tem data para ser divulgado, mas o caso já levanta debates sobre segurança, saúde mental de pilotos e o protocolo de acesso a sistemas críticos em aeronaves comerciais.



