BASTIDORES DA POLITICA
Quando o silêncio diz muito: bastidores agitam a política catarinense
De possíveis trocas de partido a críticas duras a uma estatal bilionária, o cenário começa o ano tenso

A política catarinense começou o ano com movimentações intensas nos bastidores, reunindo articulações partidárias, disputas internas em instituições religiosas e fortes críticas à principal estatal de energia do Estado.
A deputada federal Carol de Toni (PL) deve se reunir, nas próximas semanas, com o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro. O encontro, inicialmente previsto para dezembro, foi adiado para este início de ano e ganhou peso estratégico. Nos corredores da política, a avaliação é clara: Carol está com “um pé e meio” fora do Partido Liberal.
O motivo é direto. O governador Jorginho Mello (PL) já teria deixado claro que não há espaço para que a deputada dispute o Senado pelo PL. Diante desse cenário, a migração para o Novo aparece como a única alternativa viável para manter seu projeto eleitoral em 2026.
Enquanto isso, uma crise silenciosa ganha força dentro da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) em Santa Catarina. A disputa pela presidência da instituição para os próximos quatro anos estaria polarizada entre o ex-deputado e atual presidente Narcizo Parisotto e o deputado estadual Jair Miotto (União Brasil).
Nos bastidores, comenta-se que Miotto teria se posicionado contra a reeleição de Parisotto. O pano de fundo da tensão envolveria a pré-candidatura de Débora Parisotto (PSD) à Assembleia Legislativa, o que ampliaria o embate político-religioso dentro da igreja. Mais detalhes sobre esse confronto devem vir à tona nos próximos dias.
Na esfera institucional, o deputado estadual Ivan Naatz (PL) subiu o tom contra a Celesc. Segundo ele, a companhia enfrenta falhas graves no atendimento à população, com registros de locais que chegaram a ficar até três dias sem energia elétrica.
Naatz foi além e atacou diretamente a gestão da estatal. “A Celesc, há muito tempo, precisa ser passada a limpo. Fatura bilhões, distribui bilhões entre acionistas, diretores recebem salários extraordinários, muito acima do limite constitucional, e o retorno para a população é praticamente nenhum”, afirmou o parlamentar, prometendo que o tema será recorrente na Assembleia Legislativa ao longo do ano.
A crítica ganha peso por partir de um deputado que integra a base do governador Jorginho Mello. Com isso, o presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, passa a ocupar uma posição ainda mais delicada no tabuleiro político.
Diante desse cenário, uma pergunta começa a circular nos bastidores: os problemas recorrentes da Celesc não estariam criando o ambiente ideal para que o governo avance na discussão sobre a venda da companhia? Para alguns interlocutores, a resposta é sim — e o debate pode ganhar força nos próximos meses.



