ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
Quando ensinar é programar o futuro: a missão da professora Simone Blunk
Da robótica à lógica de programação: o olhar da professora Simone Blunk sobre o papel da tecnologia no aprendizado do futuro

Em um mundo cada vez mais conectado, a educação precisa acompanhar as mudanças e oferecer aos alunos ferramentas que façam sentido para o futuro. É nesse cenário que a professora Simone Blunk, especialista em Informática Pedagógica no Ensino Fundamental, encontra sua missão: transformar a tecnologia em uma aliada do aprendizado e despertar nos estudantes o protagonismo e a criatividade. Com projetos inovadores e uma visão de ensino que vai além do simples uso de computadores, Simone mostra que a educação pode ser dinâmica, inclusiva e, acima de tudo, inspiradora.
ENTREVISTA
MNDV: O que a inspirou a escolher a área da Informática Pedagógica e trabalhar com a integração da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem?
Simone: Sempre gostei da área da tecnologia, e o que me inspirou a escolher a Informática Pedagógica foi o desejo de transformar a maneira como os alunos aprendem com o uso das ferramentas digitais. Acredito que o aluno precisa ir além do simples uso da tecnologia: deve aprender a criar, produzir e inovar com ela. Ver o crescimento deles ao entender algo novo me fez buscar maneiras de levar a programação para o cotidiano da escola, não só como ferramenta, mas como oportunidade de desenvolver criatividade, autonomia, pensamento crítico e trabalho em equipe.
MNDV: Como você enxerga o papel da tecnologia na educação atual e de que forma ela pode transformar a sala de aula?
Simone: A tecnologia é uma grande aliada da aprendizagem. Ela não substitui o professor, mas torna a sala de aula mais dinâmica e interativa. Projetos como o Clube da Programação – O Código do Futuro estimulam pesquisa, curiosidade e autonomia. Com Scratch e LEGO Education, os alunos aprendem lógica, robótica e programação de forma prática e divertida. Além disso, a tecnologia também favorece a inclusão, com recursos digitais que permitem que todos participem ativamente das atividades.
MNDV: Como surgiu o Clube da Programação e qual seu impacto?
Simone: O clube nasceu ao perceber que alguns alunos terminavam atividades antes dos demais e ficavam ociosos. Criei um espaço para explorar curiosidade, desenvolver raciocínio lógico e criar jogos. O projeto cresceu e alunos participaram da FEBIC, conquistando prêmios e reconhecimentos. O impacto é enorme: eles se tornam protagonistas, desenvolvem autonomia e trabalho em equipe e alguns até pensam em seguir carreira na tecnologia.
MNDV: Quais são os desafios de trabalhar com tecnologia em sala de aula?
Simone: O principal desafio é a falta de recursos e tecnologias assistivas para atender diferentes necessidades. Muitas vezes, temos ideias inovadoras, mas esbarramos na limitação de equipamentos, softwares ou jogos adaptados.
MNDV: Como é ver os alunos conquistando prêmios e reconhecimento?
Simone: É uma realização imensa. Mostra que o esforço valeu a pena e que a aprendizagem ultrapassa os muros da escola. Ver o comprometimento e o crescimento deles em autonomia, criatividade e empatia confirma que estamos formando jovens protagonistas, capazes de transformar o futuro com a educação e a tecnologia.
MNDV: Que habilidades e valores a Informática Pedagógica ajuda a desenvolver além do uso técnico?
Simone: Os alunos aprendem lógica, pensamento crítico, criatividade, autonomia e persistência. Trabalham em equipe, aprendem a ouvir e respeitar opiniões, e são estimulados a usar a tecnologia de forma ética e consciente. Não queremos apenas formar consumidores de tecnologia, mas criadores e inovadores.
MNDV: Como se mantém atualizada frente às rápidas mudanças da tecnologia?
Simone: Participo de feiras científicas, cursos, pós-graduação e mestrado, além de testar novas ferramentas e metodologias. Busco aprender junto com os alunos, mostrando que errar e tentar de novo faz parte do processo.
MNDV: Que mensagem deixa aos professores neste Dia do Professor?
Simone: Ser educador é desafiador, mas transformador. A tecnologia não substitui o professor, valoriza o que há de mais humano no ensino: vínculo, criatividade e desejo de ver o outro aprender. Mesmo pequenos passos fazem diferença. Continuem explorando, errando e recomeçando, e nunca percam a paixão por ensinar.
A trajetória de Simone Blunk mostra que a tecnologia na educação vai muito além de ferramentas digitais: trata-se de abrir caminhos para a criatividade, autonomia e protagonismo dos alunos. Cada projeto, cada prêmio e cada descoberta representa a dedicação de uma professora que acredita no potencial de cada estudante e na importância de preparar jovens para um futuro cada vez mais conectado. Seu trabalho inspira não apenas alunos, mas também colegas educadores, lembrando que ensinar é uma missão que transforma vidas, constrói sonhos e possibilita que cada criança descubra seu próprio caminho.



