ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
“Profe, eu sei ler!” — As emoções e desafios da alfabetizadora Katia
No Dia do Professor, conheça a trajetória emocionante de Katia D. H. Maus, professora alfabetizadora do 1º ano, que transforma descobertas em conquistas diárias.

No especial em homenagem ao Dia do Professor, o Mais Notícias do Vale apresenta histórias que mostram o verdadeiro significado da educação.
Hoje, conheça Katia D. H. Maus, professora alfabetizadora do 1º ano, que há mais de três décadas dedica sua vida a transformar o início da vida escolar em um momento mágico e inesquecível. Entre risadas, desafios e muita emoção, ela compartilha conosco sua trajetória e o amor pela arte de ensinar a ler e escrever.
ENTREVISTA
MNDV: O que a motivou a seguir o caminho da educação e, especialmente, a se dedicar à alfabetização?
Katia: Bem na adolescência, eu não sabia que caminho seguir. Terminei o Ensino Médio cedo e não tinha algo definido. Eu adorava crianças e foi então que minha mãe me incentivou a fazer Pedagogia. Mas eu fui só pra provar que não ia dar certo (adolescentes…kkk). Assim que comecei a faculdade fui chamada para trabalhar numa escola em Blumenau, onde morava, e vi que, dessa vez, não conseguiria contrariar minha mãe. Lá trabalhei um ano como auxiliar, três anos na secretaria e depois com o pré-escolar, a turma de alfabetização — e percebi que ali eu me encontrei.
Depois de mudanças, fui diretora, coordenadora e, por fim, voltei à sala de aula. E é ali, com os pequenos, que eu realmente me sinto realizada. Aprendi em cada função, mas minha paixão sempre foi a alfabetização.
MNDV: Ensinar a ler e escrever é um dos momentos mais marcantes na vida de uma criança. Como é, para você, acompanhar esse processo tão transformador?
Katia: Eu sou daquelas que se emociona com eles! Quando percebem que estão conseguindo juntar as letras e começam a ler as primeiras palavras, eu comemoro, faço festa, entrego medalhas, certificados. Sei que aquele início pode mudar uma vida para sempre.
MNDV: Quais são os principais desafios e também as maiores recompensas de trabalhar com o 1º ano?
Katia: O maior desafio é a falta de estímulo e acompanhamento das famílias. Hoje, poucos pais leem livros, e isso reflete nas crianças. Antes, víamos as famílias mais presentes, e isso fazia toda a diferença.
Mas a recompensa é ver o brilho no olhar da criança quando descobre que consegue ler. Nada paga ouvir um “profe, eu sei ler!” — esse momento é mágico!
MNDV: Existe alguma lembrança ou história marcante de um aluno que aprendeu a ler com você e que ficou guardada na memória?
Katia: Tenho muitas! Uma delas foi de um aluno do PROMAIS que queria aprender a ler para ensinar a mãe. Ele conseguiu — e ainda me disse que iria ajudar o irmão no futuro. Outra história foi de um menino que demorou mais a aprender, e no final do ano me escreveu: “Professora, obrigada por não desistir de mim.” Parece simples, mas para uma alfabetizadora, é tudo.
MNDV: Como você enxerga o papel do professor alfabetizador na formação do cidadão do futuro?
Katia: É fundamental. O 1º ano é uma fase cheia de desafios e descobertas. Quando a alfabetização acontece, a criança começa a entender o mundo com outros olhos — abre-se a porta para um cidadão mais consciente.
MNDV: A alfabetização mudou bastante nos últimos anos. O que você considera essencial nesse processo, independentemente da época?
Katia: O amor pelo que se faz. Já usei vários métodos, mas ensinar com amor é o que mais dá certo. O lúdico também é essencial — ajuda na transição entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental.
MNDV: O que mais te emociona em ser professora e em ver seus alunos dando os primeiros passos na leitura e na escrita?
Katia: É quando eles percebem que são capazes. Eles até “crescem” de orgulho! É lindo ver a autoconfiança surgindo, especialmente em crianças que enfrentam situações difíceis.
MNDV: Qual mensagem você deixaria para seus colegas professores neste Dia do Professor?
Katia: Eu diria que educar é um desafio, mas também um privilégio. É preciso ter paixão. Se for apenas por estabilidade ou facilidade, o caminho pode ser curto. Mesmo depois de 30 anos, ainda agradeço por poder trabalhar com o que amo todos os dias.
A professora Katia é o exemplo vivo de que a alfabetização vai muito além das letras — é um ato de amor, paciência e transformação.
Cada palavra lida pela primeira vez é uma vitória compartilhada, e cada aluno que descobre o prazer da leitura carrega um pedaço da dedicação dessa professora que, com o coração, ensina muito mais do que o ABC.



