DENÚNCIA

Procedimento estético termina em necrose e denúncia em SC

Modelo de 51 anos precisou passar por cirurgias; clínica já havia sido interditada

Procedimento estético termina em necrose e denúncia em SC
Foto: Redes Sociais
Publicado em 03/10/2025 às 16:55

Um procedimento estético que deveria reduzir celulite e gordura localizada se transformou em um pesadelo para a modelo Karim Kamada, de 51 anos, em Jaraguá do Sul (SC). Ela sofreu complicações graves, incluindo necrose, após utilizar a chamada caneta pressurizada com enzimas. O caso é investigado pela Polícia Civil e também foi alvo da Vigilância Sanitária, que interditou a clínica responsável.

Karim realizou a intervenção em maio de 2025 e, pouco tempo depois, passou a apresentar sintomas como dores intensas, vermelhidão, inflamações, febre alta, celulite infecciosa e nódulos. Mesmo relatando os problemas, a profissional que realizou o procedimento afirmou que as reações eram “normais”, o que retardou a busca por atendimento médico.

Com a piora do quadro, a modelo precisou de duas cirurgias e ainda segue em acompanhamento. “São três meses que a minha vida parou. E tem todo o fator psicológico”, desabafou.

Clínica interditada

A clínica onde Karim foi atendida, pertencente a Vanderléia de Fátima Andrade Santos, de 46 anos, foi denunciada à Vigilância Sanitária, que constatou irregularidades como a ausência de alvará e documentação obrigatória. O local foi interditado em julho, mas em setembro uma nova denúncia apontou que continuava funcionando. Na ocasião, uma ação conjunta com a Polícia Militar resultou em um auto de infração e abertura de processo administrativo, que pode gerar multas e outras penalidades.

Investigações em andamento

Segundo o delegado Eric Uratani, responsável pelo inquérito, a Polícia Civil já ouviu a vítima e deve colher os depoimentos da técnica e possíveis testemunhas nos próximos dias. Até o momento, não há registro de outras vítimas, mas novos casos podem ser incorporados à investigação.

O que é a caneta pressurizada com enzimas?

De acordo com a dermatologista Mariana Sens, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia em Santa Catarina, o equipamento injeta substâncias na pele por pressão, sem uso de agulhas.

O problema é que a técnica não permite controle de dose, profundidade ou local da aplicação, fatores essenciais para evitar complicações. Frequentemente, são utilizados coquetéis de substâncias como ácido deoxicólico para reduzir gordura localizada, que só deveriam ser aplicados por médicos, com técnicas seguras e produtos regularizados.

“O uso incorreto pode causar ulcerações e necrose”, explica Sens. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta que esse tipo de procedimento pode configurar exercício ilegal da medicina, além de representar sérios riscos para a saúde.

O caso segue sob investigação.