ELEIÇÕES 2026

PL amplia influência e redesenha bancadas evangélicas em SC

Partido passa a concentrar maioria dos parlamentares ligados a igrejas evangélicas

PL amplia influência e redesenha bancadas evangélicas em SC
Foto: Divulgação
Publicado em 09/04/2026 às 13:07

As recentes movimentações partidárias em Santa Catarina estão redesenhando o perfil das bancadas evangélicas no estado, com avanço significativo do PL. A filiação do deputado federal Ismael dos Santos simboliza esse movimento e consolida uma estratégia que aproxima parlamentares ligados a igrejas evangélicas da legenda.

A entrada de Ismael no partido ocorreu ao lado de lideranças nacionais e estaduais, como o governador Jorginho Mello, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto. A filiação, mesmo diante de resistências internas, reforça a presença do partido entre parlamentares com base no eleitorado evangélico.

Com a mudança, o PL passa a reunir quatro dos seis parlamentares eleitos em 2022 em Santa Catarina com vínculos diretos com igrejas evangélicas. O movimento também se estende à Assembleia Legislativa, onde deputados estaduais seguiram o mesmo caminho.

Entre eles estão Marcos da Rosa e Junior Cardoso, ambos ligados à Assembleia de Deus, além de Jair Miotto, da Igreja do Evangelho Quadrangular. Todos migraram para o PL, deixando outras siglas.

Já o Republicanos passou a concentrar os demais nomes desse segmento no estado, como a deputada federal Geovânia de Sá e o deputado estadual Sérgio Motta, este último o único entre os eleitos em 2022 que não mudou de partido.

A reconfiguração partidária reflete uma estratégia eleitoral mais ampla. Com parte significativa do eleitorado evangélico alinhada ao bolsonarismo, a aproximação com o PL — partido associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro — tende a reduzir desgastes políticos junto a essa base.

Além disso, fatores estruturais do sistema eleitoral também influenciam o movimento. A cláusula de barreira, que exige desempenho mínimo nacional para acesso a recursos e tempo de propaganda, e o fim das coligações proporcionais têm contribuído para o enfraquecimento de partidos menores e incentivado a migração para siglas maiores.

Nesse cenário, legendas que historicamente abrigavam esse perfil de candidaturas, como PSC, PTB e Democratas, perderam espaço ou deixaram de existir, abrindo caminho para uma nova configuração política no estado.

Como ficaram as bancadas evangélicas de SC

Deputados federais:

  • Ismael dos Santos (Assembleia de Deus) – do PSD para o PL
  • Geovânia de Sá (Assembleia de Deus) – do PSDB para o Republicanos

Deputados estaduais:

  • Sérgio Motta (Igreja Universal) – Republicanos
  • Jair Miotto (Igreja Quadrangular) – do União Brasil para o PL
  • Marcos da Rosa (Assembleia de Deus) – do União Brasil para o PL
  • Junior Cardoso (Assembleia de Deus) – do PRD para o PL

A reorganização indica um cenário de maior concentração partidária e antecipa disputas mais intensas dentro das próprias legendas nas eleições de 2026.