ELEIÇÕES 2026

Permanência de Jerry expõe racha no MDB sobre apoio ao governo

Permanência de Jerry expõe racha no MDB sobre apoio ao governo
Foto: Divulgação
Publicado em 31/03/2026 às 7:12

O deputado estadual Jerry Comper anunciou que permanecerá no MDB, mesmo diante das divergências internas que marcam a sigla na reta final da janela partidária. A decisão foi divulgada em vídeo nas redes sociais e ocorre em um momento de disputa entre diferentes alas do partido sobre os rumos para as eleições estaduais.

No pronunciamento, Comper afirmou ter recebido convites para deixar o MDB, mas optou por seguir na legenda por considerar sua trajetória política vinculada à sigla. Segundo ele, a escolha foi pautada não apenas pela razão, mas também por princípios e história.

O parlamentar integra o grupo do MDB que defende o apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Até recentemente, ele esteve à frente da Secretaria de Estado de Infraestrutura, cargo que deixou durante o período da janela partidária. Sua base política, formada majoritariamente por prefeitos emedebistas, também influenciou na decisão.

Apesar da permanência, o cenário interno do MDB segue indefinido. Outros deputados estaduais, como Fernando Krelling, Emerson Stein e Valdir Cobalchini, também demonstraram insatisfação com o anúncio feito pelo presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini.

Chiodini declarou apoio ao projeto liderado pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), mas a posição foi considerada isolada por lideranças do partido, que alegam ausência de consulta às bases.

Diante do impasse, uma reunião está marcada para esta terça-feira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O encontro deve reunir parlamentares e lideranças para discutir os próximos encaminhamentos e avaliar o cenário político.

O deputado Emerson Stein afirmou que sua permanência no MDB dependerá do resultado da reunião. Também devem participar do encontro o deputado estadual Antídio Lunelli e o vice-presidente do BRDE, Mauro Mariani.

Mariani destacou que há desconforto entre pré-candidatos e prefeitos diante da possibilidade de uma aliança com o PSD. Segundo ele, a decisão pode levar à perda de lideranças locais e enfraquecer o partido em algumas regiões.

O emedebista também relembrou episódios passados em que decisões tomadas sem respaldo das bases impactaram negativamente o desempenho eleitoral da sigla, citando como exemplo o cenário de 2010, quando o MDB optou por composições que o colocaram em posição secundária.

Sem consenso interno, a definição sobre o posicionamento do MDB nas eleições pode ser levada à convenção estadual. Atualmente, o partido conta com 398 delegados aptos a votar, somando 479 votos no colégio interno.

Na última convenção, realizada em 2022, a proposta de não lançar candidatura própria e indicar o vice na chapa de Carlos Moisés foi aprovada pela maioria. O grupo liderado por Antídio Lunelli, que defendia candidatura própria, acabou derrotado, com apoio do então e atual presidente da sigla, Carlos Chiodini.

O MDB voltou à base do governo estadual em 2025 ao compor com Jorginho Mello, com expectativa de ocupar a vaga de vice. Agora, com o novo impasse, o partido se vê novamente diante de uma decisão estratégica que pode definir seu protagonismo no cenário político catarinense.