ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
O poder do acolhimento: a trajetória inspiradora de Fernanda Schroeder CubiaK
Segunda professora na Educação Especial, ela fala sobre empatia, desafios e as pequenas grandes vitórias que tornam a profissão única

O MNDV conversou com Fernanda Schroeder Cubiak, segunda professora na Educação Especial, que compartilhou sua trajetória, aprendizados e reflexões sobre a importância da inclusão, da empatia e do trabalho conjunto entre educadores e famílias. Com uma fala inspiradora e cheia de sensibilidade, Fernanda mostra que ensinar é, acima de tudo, um ato de amor e entrega.
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MNDV: O que a motivou a seguir a carreira docente e, especialmente, atuar na área da Educação Especial?
Fernanda: A maior inspiração para seguir a carreira docente, sem dúvida, é minha mãe — uma pessoa admirável, que sempre me motivou a ser alguém melhor e a valorizar o poder transformador da educação. Desde o início da minha trajetória profissional, percebi o quanto ensinar é também uma forma de aprender. A atuação na Educação Especial aconteceu de maneira muito natural: desde a primeira oportunidade, fui conquistada por esse trabalho tão significativo. As crianças com as quais convivo diariamente me ensinam lições valiosas de superação, sensibilidade e amor, o que me motiva a seguir crescendo e me dedicando ainda mais a essa área.
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MNDV: Como é o papel da segunda professora dentro da Educação Especial e de que forma essa parceria com a professora titular contribui para o desenvolvimento dos alunos?
Fernanda: Ser segunda professora na Educação Especial é, sem dúvida, um papel desafiador, mas também muito enriquecedor. Ainda existem professores que se sentem inseguros ou desconfortáveis com a presença desse apoio, mas, com o tempo, percebem que o trabalho conjunto beneficia toda a turma. O papel da segunda professora vai muito além do acompanhamento individual — ela contribui para a organização, adaptação das atividades e para o desenvolvimento global dos alunos. A parceria com a professora regente é indispensável: é preciso diálogo, respeito e colaboração para que ambas atuem de forma integrada, garantindo que cada estudante tenha suas potencialidades valorizadas e suas necessidades atendidas.
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MNDV: Trabalhar com a inclusão exige sensibilidade e dedicação. Quais são os principais desafios e aprendizados que você vive nessa rotina?
Fernanda: Trabalhar com a inclusão é um aprendizado constante, que vai muito além dos livros e das teorias. Cada criança carrega consigo uma história, uma bagagem única, e muitas vezes o que ela mais precisa é de acolhimento, de um abraço, de um olhar atento, do seu próprio tempo e espaço. Há dias em que se mostram seguras, e outros em que se fecham, não falam, travam ou apresentam comportamentos mais desafiadores. Nesses momentos, percebo que nem sempre a teoria dá conta da prática, e é o coração que guia nossas ações. A sensibilidade, o afeto e a empatia se tornam as ferramentas mais poderosas para seguir acreditando e fazendo a diferença na vida dessas crianças.
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MNDV: Como você enxerga a importância do trabalho conjunto entre professores, famílias e equipe pedagógica para o progresso dos alunos da Educação Especial?
Fernanda: Esse é, sem dúvida, o ponto mais importante de todo o trabalho na Educação Especial: a união entre professores, família e equipe pedagógica, sempre com foco na criança. Toda a escola precisa conhecer e compreender cada aluno, pois o progresso só acontece quando todos caminham juntos. A equipe pedagógica tem um papel essencial de apoio, orientação e mediação entre os envolvidos. Já a família é parte indispensável desse processo — conhecer o contexto em que a criança vive e os profissionais que a acompanham faz toda a diferença. Infelizmente, o apoio familiar nem sempre acontece, seja por falta de tempo, de recursos ou de acesso a terapias, o que muitas vezes dificulta o desenvolvimento pleno do aluno. Mesmo assim, quando há parceria e diálogo, os resultados são sempre mais significativos.
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MNDV: Há alguma história ou situação marcante com um aluno ou turma que tenha deixado uma lembrança inesquecível?
Fernanda: São muitas as histórias que marcaram minha trajetória, mas duas delas têm um lugar especial no meu coração. A primeira foi em 2019, quando atuei como professora em um projeto de Libras no município de Indaial. Foram 32 turmas, do 1º ao 5º ano — cerca de 750 alunos ouvintes aprendendo e espalhando Libras pelos corredores da escola e dentro de suas casas. Ver essa língua ganhando vida e despertando curiosidade e respeito foi algo inesquecível. A segunda história foi em 2022, com um aluno autista que, por trauma, não conseguia entrar em sala de aula. Com apoio da escola e da mãe, criamos um espaço adaptado próximo à turma, e, com o tempo, ele foi conquistando confiança até conseguir participar da sala. Lembrar dessa superação me emociona e me enche de orgulho do caminho percorrido e do poder do acolhimento na educação.
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MNDV: De que forma você adapta as atividades e estratégias pedagógicas para atender às diferentes necessidades dos estudantes?
Fernanda: A adaptação pedagógica é um processo muito específico e individualizado, pois cada criança apresenta suas próprias necessidades, ritmos e formas de aprender. Não existe um único modelo que funcione para todos — o olhar atento e a observação diária são fundamentais para definir o tipo de apoio necessário. Há alunos que demandam suporte integral, com adaptações mais amplas, como atividades de alfabetização diferenciadas, uso constante de materiais concretos, apoio visual, rotinas estruturadas e acompanhamento contínuo. Já outros necessitam de um suporte parcial, que envolve organização das tarefas, lembretes visuais, explicações mais detalhadas, tempo ampliado para realizar as atividades e adaptações em avaliações. O mais importante é garantir que todos tenham oportunidades reais de participar, aprender e demonstrar suas potencialidades, respeitando sempre o seu tempo e suas particularidades.
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MNDV: O que mais te orgulha em fazer parte da Educação Especial e o que você gostaria que as pessoas entendessem melhor sobre o trabalho dos profissionais dessa área?
Fernanda: O que mais me orgulha em fazer parte da Educação Especial é acompanhar de perto cada pequena conquista dos alunos. Esse trabalho é feito de encantamentos diários — alguns avanços acontecem lentamente, outros de forma surpreendentemente rápida. É um processo constante: hoje você vence, amanhã precisa recomeçar, e assim seguimos, com paciência, dedicação e amor. O maior orgulho é ver o desenvolvimento integral de cada criança, não apenas na aprendizagem, mas também na autonomia, na socialização e na autoconfiança. O que ainda falta é o reconhecimento do verdadeiro valor desse trabalho. Como em qualquer profissão, há profissionais excelentes e outros que ainda estão aprendendo, mas infelizmente muitas vezes se fala da Educação Especial de forma generalizada, sem compreender a complexidade, o compromisso e a importância que esse trabalho tem na formação humana e inclusiva.
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MNDV: Para encerrar, o que o Dia do Professor representa para você e qual mensagem deixaria para seus colegas que também atuam na inclusão e no acolhimento de cada aluno?
Fernanda: Celebrar o Dia do Professor é motivo de muito orgulho e gratidão. Acredito que minha mãe, grande inspiração da minha caminhada, se sente feliz em ver sua filha seguindo seus passos e levando adiante o amor pela educação. Mas, na verdade, o Dia do Professor é todos os dias — está em cada sorriso conquistado, em cada aprendizado compartilhado, em cada desafio superado. Ser professor é transformar vidas com paciência, empatia e coragem. Precisamos, sim, de mais reconhecimento, valorização e do apoio das famílias e da comunidade escolar. Aos colegas que atuam na inclusão, deixo uma mensagem de força e esperança: nunca desistam de acreditar no potencial de cada aluno, pois é através do nosso olhar sensível e acolhedor que a verdadeira educação se torna possível.
Com palavras cheias de afeto e propósito, Fernanda Schroeder Cubiak traduz a essência do ser professor: alguém que transforma o mundo todos os dias, um gesto de cada vez. Seu olhar sensível e sua dedicação à Educação Especial refletem a importância de um ensino que vai além dos conteúdos — que acolhe, respeita e acredita nas possibilidades de cada aluno.
Neste especial do Dia do Professor, o MNDV celebra profissionais como Fernanda, que fazem da sala de aula um espaço de descobertas, empatia e esperança.



