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O bug que transformou Mario em lenda

“Minus World” surgiu de um erro, mas virou símbolo da magia dos videogames

O bug que transformou Mario em lenda
Foto: Divulgação
Publicado em 02/10/2025 às 12:52

Setembro marcou os 40 anos de lançamento de Super Mario Bros para o Nintendo Entertainment System (NES), um jogo que não apenas apresentou ao mundo o encanador mais famoso da cultura pop, mas também deu início a uma nova era dos videogames. Mas entre tantos elementos que transformaram o título em fenômeno, uma falha acidental acabou conquistando status lendário: o misterioso “Minus World”.

O erro que abriu um mundo secreto

O bug acontecia no nível “World 1-2”. Se o jogador executasse um pulo em um ponto muito específico da parede e entrasse em um cano, ao invés de ser direcionado normalmente para as chamadas Warp Zones, Mario era transportado para um lugar que não deveria existir: um nível subaquático infinito, impossível de ser concluído.

Na tela, a fase era apresentada como “World -1”, algo que não fazia parte do código previsto. O único jeito de escapar dali era reiniciar o jogo ou deixar Mario morrer. Ainda assim, o enigma rapidamente se espalhou entre os jogadores da época, tornando-se um dos primeiros grandes mitos dos videogames.

O impacto cultural

O “Minus World” ganhou notoriedade em 1988, quando a revista americana Nintendo Power dedicou uma reportagem inteira a ele, ensinando passo a passo como acessar o nível oculto. A partir dali, o bug deixou de ser apenas uma curiosidade técnica e se transformou em parte da cultura gamer.

A grande questão passou a ser: teria a Nintendo deixado aquele nível de propósito? Haveria outros segredos escondidos no jogo? O criador Shigeru Miyamoto negou qualquer intencionalidade, mas a dúvida e o imaginário dos jogadores já estavam consolidados.

O bug que transformou Mario em lenda
Foto: Divulgação

O fascínio pelo inesperado

Parte do charme de Super Mario Bros estava na sensação de que seu mundo era ilimitado. Até então, a maioria dos jogos consistia em telas fixas e simples. Já Mario apresentava um universo coerente, cheio de cores, criaturas, árvores, arbustos e nuvens — elementos que transmitiam a ideia de um mundo vivo.

O “Minus World” potencializou esse sentimento, provando que poderia haver algo escondido além do que os olhos viam. Foi essa aura de mistério que levou gerações de jogadores a explorar cada pixel dos games, em busca de segredos, falhas ou atalhos.

O legado do bug

O impacto do “Minus World” foi tão grande que inspirou uma nova forma de jogar e também de criar videogames. Ao longo dos anos, diversos bugs lendários se tornaram parte da cultura gamer:

  • Dragões que voavam para trás em Skyrim (2011)
  • Personagens sem rosto em Assassin’s Creed (2007)
  • O famoso “Missingno” em Pokémon Red & Blue (1996)
  • O salto que permitia zerar Spyro: Enter the Dragonfly (2002) em segundos
  • Carros disparando para o céu em Grand Theft Auto IV (2008)

Esses erros, acidentais ou não, passaram a ser vistos como portas para o desconhecido, mantendo viva a sensação de que o inesperado poderia estar escondido em qualquer parte de um jogo.

De erro a símbolo

Scott Pelland, ex-diretor de publicações da Nintendo, revelou que os atendentes de ligações dos Nintendo Game Counselors — funcionários que ajudavam jogadores por telefone — recebiam diariamente perguntas sobre como acessar e o que fazer no “Minus World”. Isso mostra como um simples bug mexeu com a imaginação de toda uma geração.

Anos depois, o próprio Miyamoto admitiu que, mesmo não sendo planejado, o “Minus World” acabou se tornando uma espécie de recurso extra do jogo, pela forma como marcou o imaginário coletivo.

Um erro que virou imortal

Quarenta anos depois, o “Minus World” ainda é lembrado como “o maior bug da história dos videogames”. Mais do que um erro, ele simboliza uma era em que os jogos eletrônicos eram vistos como mundos misteriosos, cheios de segredos a serem descobertos.

Como disse a revista Edge, em 2015: “Foi o Minus World que nos fez acreditar, pela primeira vez, que tudo era possível nos videogames.”

De fato, aquele bug que nunca deveria existir se transformou em um dos maiores ícones da história gamer, provando que até falhas podem criar lendas eternas.

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