INTERAÇÃO

Nova rotina sem celulares nas escolas de SC resgata interação e melhora rendimento

Quatro meses após proibição, estudantes voltam a ler, jogar xadrez, cartas e esportes nos recreios, segundo educadores

Nova rotina sem celulares nas escolas de SC resgata interação e melhora rendimento
Publicado em 08/06/2025 às 10:26

Desde que a Lei Federal nº 15.100/2025 entrou em vigor em janeiro, escolas de Santa Catarina — que já adotavam restrições locais — começaram a banir celulares não apenas em sala de aula, mas também nos intervalos. O resultado, quatro meses após o início do ano letivo, é visível: mais concentração, convivência e até fila para jogar xadrez durante o recreio.

Em Blumenau, no Colégio Menino Jesus, o sinal toca para o intervalo e não se vê alunos presos a telas. Alunos se reúnem para jogar cartas, xadrez, tênis de mesa e pebolim — os espaços escolares, antes subutilizados, ganharam vida novamente. De acordo com a secretária adjunta de Educação, Patrícia Lueders, professores notaram melhora na escrita, coordenação motora e desempenho nas aulas.

A psicóloga infantil Ana Claudia Zabel Schmitt ressaltou que a ausência dos aparelhos favoreceu o aumento da atenção e foco. Estudos internacionais, como os da Unesco e do Pisa, apontam que o uso excessivo de celulares pode reduzir em até 80% o rendimento em disciplinas como Matemática.

A Secretaria de Educação implantou atividades lúdicas e esportivas em escolas públicas, incluindo jogos de tabuleiro, amarelinha, pingue-pongue e rodas de conversa. Em Navegantes, por exemplo, a Escola Municipal Rosa Maria Xavier oferece circuitos, música e xadrez para diferentes faixas etárias, e alunos relataram melhora no interesse e nas notas.

Apesar dos benefícios, especialistas alertam para sintomas de “abstinência digital”. Muitos estudantes apresentam ansiedade e inquietude ao se desligarem dos dispositivos, enquanto aprendem a lidar com essa dependência. O psicólogo Rodrigo Nejm observa que a lei é uma “desintoxicação necessária” diante de designs digitais que viciam os jovens, mas afirma que a proibição não deve ser a única solução — é preciso que escolas e famílias também eduquem para o uso responsável da tecnologia.

Em Santa Catarina, a restrição segue protocolos definidos por redes de ensino, com exceções para fins pedagógicos, de acessibilidade e segurança. Professores têm adotado novos métodos para manter o engajamento em sala, utilizando vídeos escolares e atividades tecnológicas com mediação.

De modo geral, a mobilização em todo o país — com propostas semelhantes já implantadas no Rio de Janeiro e Distrito Federal — demonstra que, embora ainda cedo, os primeiros indicadores locais sinalizam uma escola mais participativa, focada e conectada com o mundo real.