DENÚNCIA

Mulheres denunciam falsa biomédica por procedimentos estéticos que causaram deformações e infecções em SC

Ao menos quatro vítimas já registraram boletim de ocorrência; polícia investiga atuação ilegal da suposta profissional

Mulheres denunciam falsa biomédica por procedimentos estéticos que causaram deformações e infecções em SC
Foto: Arquivo Pessoal
Publicado em 30/07/2025 às 7:09

O que era para ser um sonho de autoestima virou pesadelo para diversas mulheres que confiaram seus corpos a uma mulher que se apresentava como biomédica em São José, na Grande Florianópolis. A suposta profissional oferecia procedimentos estéticos nas redes sociais e, segundo relatos, atendia em locais improvisados, sem registro profissional válido. Pelo menos quatro vítimas já registraram boletins de ocorrência, e a Polícia Civil está investigando o caso.

Uma das mulheres afetadas é Giezica Muller, técnica de enfermagem, que procurou a falsa biomédica há cerca de quatro meses para um preenchimento nos glúteos com ácido hialurônico. Ela pagou R$ 1 mil pelo procedimento, mas logo após a aplicação começou a apresentar sintomas preocupantes, como febre, dor e coceira. A profissional ainda tentou aplicar uma segunda técnica, com plasma, mas demonstrou total despreparo ao errar repetidamente na coleta de sangue.

Mesmo sentindo dores intensas e com as nádegas deformadas, Giezica demorou a buscar ajuda médica. Ao fazer um exame de imagem, os profissionais constataram a presença de bactérias na região — algo que, segundo ela, confirmou a negligência no procedimento.

A gravidade da situação levou Giezica a ser internada por uma semana. Desde então, ela passou a receber mensagens de outras mulheres com experiências semelhantes. Segundo seus relatos, ao menos 27 pessoas foram afetadas.

Outra vítima, Laura de Oliveira, de 23 anos, relatou complicações após realizar um peeling químico. Em poucos dias, seu rosto apresentava ardência extrema e vermelhidão, que tiravam até seu sono. Já Vitória Tavares, de 19 anos, também enfrentou um drama ao realizar preenchimento labial e no rosto. Ela ficou com inchaço por mais de quatro meses e precisou buscar atendimento médico de emergência.

Apesar de todos os relatos, a suposta profissional continuava atuando e se promovendo nas redes sociais. O Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região confirmou que ela não possui registro profissional e que o caso está sendo encaminhado às autoridades competentes para as devidas providências.

As vítimas seguem se mobilizando para alertar outras pessoas e cobrar justiça. Algumas delas precisarão passar por cirurgias para tentar reparar os danos causados por procedimentos irregulares e sem respaldo legal.