ALERTA

Mortes de motociclistas crescem em Santa Catarina e chegam a 577 em 2025

Mortes de motociclistas crescem em Santa Catarina e chegam a 577 em 2025
Foto: Banco de Imagens
Publicado em 02/02/2026 às 7:08

Santa Catarina registrou 577 mortes em acidentes envolvendo motocicletas ao longo de 2025, um aumento de 12% em relação a 2024, quando foram contabilizados 516 óbitos. Na prática, os dados indicam que três pessoas morreram a cada dois dias neste tipo de ocorrência no estado. A média mensal foi de 48 mortes.

Além do aumento no número de vítimas fatais, o total de acidentes com motos também cresceu. Em 2025, foram registrados 34.338 acidentes, alta de 3,6% em comparação ao ano anterior.

Levantamentos apontam que homens são a maioria absoluta das vítimas, especialmente na faixa etária entre 20 e 39 anos. Entre 2020 e 2024, pelo menos oito em cada dez mortes ocorreram nesse grupo. Especialistas associam o dado à maior exposição ao risco, comportamentos imprudentes e condução mais agressiva.

Grande Florianópolis lidera em mortes e acidentes

A Grande Florianópolis concentra os números mais elevados. Entre 2020 e 2025, 349 pessoas morreram em acidentes com motocicletas nos municípios de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça. Somente a capital catarinense registrou 117 mortes no período.

Em cinco anos, foram contabilizados 37.702 acidentes com motos na região. Apenas em 2025, ocorreram 7.614 registros, representando crescimento de 6% em relação ao ano anterior.

Impacto no SUS e na saúde mental

Os acidentes geram impactos que vão além das estatísticas. Em Santa Catarina, as internações hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito custaram quase R$ 11 milhões ao SUS em um único ano. Em nível nacional, o valor chegou a R$ 257 milhões em 2024.

Segundo o diretor do Hospital Regional de São José, Daywson Koerich, muitos pacientes passam por múltiplos procedimentos cirúrgicos e longos períodos de reabilitação. “São atendimentos complexos, que acabam sendo bastante onerosos para o Estado”, explica.

Além das sequelas físicas, o impacto psicológico também é significativo. A psicóloga Jaqueline Frutuoso destaca a incidência de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) em vítimas e familiares. “As cicatrizes não são só físicas. A cicatriz emocional existe e dói muito. O tratamento psicológico é fundamental”, afirma.

Sequelas permanentes e mudanças de vida

Dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia indicam que três em cada dez motociclistas envolvidos em acidentes ficam com sequelas permanentes, como amputações, deformidades e limitações funcionais.

Casos como o do jovem Luís Felipe Ávila, de 24 anos, que sofreu lesão medular grave, ou da designer Natália Garcez Correia, de 25 anos, que passou por mais de 40 cirurgias e hoje utiliza cadeira de rodas, ilustram o impacto profundo desses acidentes na vida das vítimas e de suas famílias.

Capacitação como forma de prevenção

Santa Catarina possui cerca de 33 mil entregadores por aplicativo. Por lei, motociclistas que utilizam a moto como instrumento de trabalho precisam realizar cursos de capacitação. Instituições como o Sest/Senat oferecem treinamentos focados em direção defensiva.

Para especialistas, a prevenção passa não apenas pela formação dos condutores, mas também pela responsabilidade das empresas contratantes, que devem evitar prazos excessivos e estimular práticas mais seguras no trânsito.

Fonte: ND+