LUTO
Morre Francisco Cuoco aos 91 anos: o eterno galã da TV brasileira
Ex-feirante e ícone das novelas entre os anos 60 e 90, ator faleceu por falência múltipla dos órgãos após 20 dias internado. Ele deixa três filhos, netos e um legado inesquecível na dramaturgia nacional.

Francisco Cuoco, o rosto inesquecível de personagens marcantes da televisão brasileira, morreu nesta quinta-feira (19), aos 91 anos, em São Paulo. O ator estava internado há cerca de 20 dias no Hospital Albert Einstein e faleceu por falência múltipla dos órgãos. A notícia foi confirmada por Mauro Alencar, pesquisador e amigo pessoal de Cuoco, e por Rosamaria Murtinho, também atriz e amiga próxima.
O velório será realizado nesta sexta-feira (20), das 7h às 15h, no Funeral Home, na Bela Vista, na capital paulista. Aberto ao público, o evento permitirá que fãs se despeçam do ator. O enterro acontecerá às 16h, em cerimônia restrita a familiares e amigos.
De feirante a protagonista das telas
Nascido em São Paulo em 1933, Francisco Cuoco era filho de Leopoldo, um feirante imigrante italiano, e Antonieta, dona de casa. Trabalhou na feira com o pai e alimentava o sonho de ser advogado. Ainda criança, foi impactado pelos circos mambembes que se apresentavam em um terreno em frente à sua casa, no bairro do Brás. Fascinado pela arte, passou a fazer pequenas encenações. O sonho de ser artista estava plantado.
Ao invés de cursar Direito, optou pela Escola de Arte Dramática de São Paulo. Ali começou uma jornada que mudaria o cenário artístico do país. Integrou o Teatro Brasileiro de Comédia e o Teatro dos Sete, duas companhias fundamentais na história do teatro nacional.
Estrela das novelas e símbolo de uma era
Cuoco estreou na televisão na TV Tupi, no programa “Grande Teatro Tupi”, e logo passou a brilhar nas novelas. Entre os anos 60 e 90, se tornou um dos principais galãs do país. Fez história com personagens como Carlão, o taxista de Pecado Capital (1975), considerado um de seus papéis mais icônicos. Também brilhou em novelas como O Astro (1977), Selva de Pedra (1972), Feijão Maravilha (1979), O Salvador da Pátria (1989), entre tantas outras.
Na década de 1980, foi protagonista de O Sétimo Sentido, ao lado de Regina Duarte, com quem formou uma das duplas mais amadas da TV brasileira. Foi também o primeiro intérprete de Roque Santeiro, na versão de 1975 da novela que foi censurada antes de ir ao ar.
Nos anos 2000, embora com menos protagonismo, continuou ativo na teledramaturgia. Esteve em produções como Cobras & Lagartos (2008), Passione (2010), o remake de O Astro (2011) e Sol Nascente (2016). Seu último trabalho na TV foi em 2023, com uma participação especial em No Corre.
No cinema e nos palcos
Apesar da carreira consolidada na televisão, Cuoco também atuou no cinema e no teatro. Nos palcos, foi premiado com o APCA de melhor ator coadjuvante em 1964 pela peça Boeing-Boeing. No cinema, participou de filmes como Grande Sertão (1968), Traição (1998), Gêmeas (1999), Cafundó (2005), entre outros. Atuou ainda em comédias com Renato Aragão, como Um Anjo Trapalhão (2000) e Didi – O Caçador de Tesouros (2006).
Vida pessoal e desafios
Na vida pessoal, Cuoco teve três filhos — Tatiana, Rodrigo e Diogo — com Gina Rodrigues, com quem foi casado entre 1966 e 1984. Antes, teve uma união com a atriz Carminha Brandão, entre 1960 e 1964. Em 2014, aos 80 anos, iniciou um relacionamento com a estilista Thaís Almeida, 53 anos mais jovem, com quem ficou até 2017.
Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, Cuoco enfrentou a depressão e se isolou. Em entrevista ao programa Conversa com Bial em 2021, relatou que foi amparado pelos filhos nesse momento difícil. “Devagarinho, com a ajuda deles, fui me recuperando”, disse. Ainda demonstrava vontade de voltar a atuar: “Acho que ainda tenho vigor para isso”.
Também enfrentou, em 2019, um processo de reconhecimento de paternidade movido pelo modelo Anthony Junior. O caso foi encerrado após um exame de DNA comprovar que Cuoco não era o pai.
Um adeus comovente
Segundo Rosamaria Murtinho, a família pôde se despedir do ator em seus últimos momentos. “A filha dele veio de Londres e os filhos estavam no hospital. Conseguiram se despedir. A última imagem dele foi da família”, contou emocionada.
Francisco Cuoco sai de cena, mas seu nome permanece gravado na memória afetiva de milhões de brasileiros que o acompanharam por décadas. De feirante a astro das novelas, sua trajetória é um símbolo da força do talento e da paixão pela arte.



