SAÚDE
Metanol em bebidas: risco real e mortal
Especialistas alertam: substância não tem cheiro, gosto ou cor diferentes do álcool comum

o menos cinco pessoas morreram em São Paulo intoxicadas por metanol nos últimos dias, e outros casos estão sob investigação. A tragédia reacendeu a preocupação: é possível diferenciar o metanol do álcool comum a olho nu?
A resposta dos especialistas é clara: não.
O metanol, conhecido como “álcool da madeira”, é invisível aos sentidos. Ele não altera cor, cheiro ou sabor da bebida, por isso é chamado de “substância traiçoeira”. Apenas análises laboratoriais conseguem identificar sua presença.
🔎 Por que é tão perigoso?
Quando metabolizado pelo fígado, o metanol se transforma em formaldeído e depois em ácido fórmico, que se acumula no sangue. Isso gera uma acidez excessiva que compromete células, rins, pulmões e, principalmente, o nervo óptico — podendo levar à cegueira mesmo em pequenas doses.
⏳ Sinais de alerta
Os primeiros sintomas lembram uma embriaguez comum: náusea, dor de cabeça, tontura e vômito — geralmente entre 10 e 12 horas após a ingestão. O que diferencia a intoxicação são as alterações visuais: visão borrada, pontos escuros, sensibilidade à luz ou perda súbita da visão.
👨⚕️ “O metanol não tem odor ou sabor característico. Só percebemos quando os sintomas aparecem”, explicou o médico toxicologista Álvaro Pulchinelli.
🏥 Tratamento imediato salva vidas
Sem atendimento rápido, a intoxicação pode matar em até 50% dos casos. Mas esse número cai para menos de 10% quando há diagnóstico precoce.
O tratamento é hospitalar, com suporte intensivo, hemodiálise para remover a substância e uso de antídotos como etanol intravenoso, que compete com o metanol e reduz sua transformação em compostos tóxicos.
Especialistas reforçam: não existe forma caseira de lidar com a intoxicação. A recomendação é procurar imediatamente o pronto-socorro ao apresentar sintomas suspeitos.



