ELEIÇÕES 2026
MDB aposta em novos nomes femininos para fortalecer nominata em SC
Partido busca cumprir legislação e evitar riscos jurídicos com candidaturas consistentes

Com o encerramento do prazo para filiações e trocas partidárias, os partidos entram agora na fase decisiva de montagem das nominatas para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Em Santa Catarina, o desafio segue conhecido: cumprir a cota de gênero com candidaturas viáveis e juridicamente seguras.
A legislação eleitoral exige a proporção mínima de mulheres nas chapas — regra que vem sendo acompanhada de maior rigor por parte da Justiça Eleitoral. Nos últimos anos, decisões consolidadas resultaram na cassação de chapas inteiras, especialmente em Legislativos municipais, por uso de candidaturas femininas fictícias.
Nesse cenário, o Movimento Democrático Brasileiro intensifica a estruturação de sua nominata feminina para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Entre os nomes que ganham visibilidade estão Andressa Pera e Leatrice Bez.
Ambas carregam vínculos familiares com figuras conhecidas da política catarinense. Andressa é casada com o prefeito de Balneário Piçarras, Thiago Blat, enquanto Leatrice é filha do ex-deputado federal Edinho Bez. Ainda assim, a construção de suas pré-candidaturas tem buscado ultrapassar esse ponto de partida.
Andressa, com atuação empresarial, tenta traduzir sua experiência em uma narrativa política voltada à gestão e ao empreendedorismo, aliando presença territorial à construção de base eleitoral. Já Leatrice, advogada, estrutura sua pré-campanha com ênfase técnica e articulação jurídica, buscando se posicionar como representante de demandas regionais, especialmente do Sul do estado.
O movimento reflete uma leitura cada vez mais consolidada no ambiente político: vínculos familiares podem abrir caminhos, mas não garantem competitividade eleitoral. A construção de identidade própria, produção de conteúdo político e capilaridade eleitoral tornaram-se elementos indispensáveis.
Ao intensificarem agendas e ampliarem o diálogo com diferentes segmentos, ambas tentam evitar rótulos simplistas e se afirmar como agentes políticas com trajetória própria — requisito que, hoje, deixou de ser diferencial para se tornar condição básica de viabilidade.
Movimento histórico
A estratégia do MDB em apostar em candidaturas femininas com lastro político não é inédita. O partido já elegeu para a Alesc nomes como Dirce Heiderscheidt e Ada de Luca, ambas com trajetórias ligadas a ambientes familiares politicamente ativos.
Dirce, casada com o ex-prefeito de Palhoça Ronério Heiderscheidt, construiu atuação voltada a causas sociais e atualmente preside o MDB Mulher. Já Ada teve longa trajetória política e chegou a disputar a vice-governadoria do Distrito Federal em 1989.
Em ambos os casos, a origem familiar não impediu a construção de identidades políticas próprias, com atuação consolidada e reconhecimento além dos sobrenomes.
O cenário atual indica menos uma ruptura e mais uma adaptação desse modelo. Andressa e Leatrice representam uma nova geração que surge em meio a maior pressão institucional e social por participação feminina na política.
O desafio permanece o mesmo: transformar visibilidade inicial e capital político herdado em densidade eleitoral consistente — fator determinante para o sucesso nas urnas.



