VETO

Lula não deve sancionar projeto que aumenta número de deputados federais

Proposta aprovada pelo Congresso inclui quatro novas vagas para Santa Catarina, mas presidente sinaliza recuo

Lula não deve sancionar projeto que aumenta número de deputados federais
Foto: Joédson Alves, Agência Brasil
Publicado em 08/07/2025 às 7:15

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a ministros e aliados que não irá sancionar o projeto de lei que aumenta o número de deputados federais no Brasil. A proposta, aprovada pelo Congresso no último dia 25 de junho, eleva de 513 para 531 o total de parlamentares na Câmara, criando 18 novas vagas — quatro delas destinadas a Santa Catarina.

Lula tem até o dia 16 de julho para decidir se sanciona ou veta o projeto. Segundo informações da rádio CBN, o presidente deve buscar um equilíbrio entre o desgaste político com o Congresso e o compromisso com a responsabilidade fiscal.

O chefe do Executivo tem duas opções: vetar o texto integralmente, o que poderia ser usado como gesto simbólico de compromisso com o controle de gastos públicos; ou não sancionar nem vetar, permitindo que o próprio Congresso promulgue a proposta. O projeto é visto por setores do governo como um possível embate desnecessário com o Legislativo, especialmente em um momento de tensões envolvendo o projeto de reajuste do IOF.

Entenda a proposta

A ampliação das vagas surgiu após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a redistribuição das cadeiras da Câmara com base nos dados do Censo 2022. Em vez de tirar vagas de estados que perderam população, como Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, o Congresso optou por criar novas cadeiras, beneficiando estados em crescimento populacional, como Santa Catarina e Pará.

A expectativa é que o aumento no número de deputados gere um impacto de R$ 64,6 milhões anuais aos cofres públicos. Para Santa Catarina, o ganho seria de quatro vagas na bancada federal a partir de 2027, o maior acréscimo entre todos os estados, ao lado do Pará.

Apesar dos benefícios políticos para algumas regiões, o tema enfrenta críticas por aumentar gastos e por supostamente preservar privilégios em um cenário de dificuldades fiscais.