DEBATE

Lei sobre gênero nas escolas reacende debate em Santa Catarina

Norma garante aos responsáveis poder de decisão sobre participação dos alunos

Lei sobre gênero nas escolas reacende debate em Santa Catarina
Foto: Divulgação
Publicado em 13/04/2026 às 12:15

A recente aprovação da Lei Estadual nº 19.776/2026 em Santa Catarina reacendeu o debate sobre os limites da atuação das escolas e o papel das famílias na educação dos estudantes.

A nova legislação assegura aos pais e responsáveis o direito de vetar a participação dos filhos em atividades pedagógicas que abordem temas como identidade de gênero, orientação sexual, diversidade e igualdade de gênero. Além disso, as instituições de ensino passam a ser obrigadas a informar previamente essas atividades e exigir autorização expressa por escrito. O descumprimento pode resultar em penalidades que vão de advertência até a cassação da autorização de funcionamento.

A medida já provoca reações no meio educacional. Entidades da área manifestaram preocupação com possíveis impactos pedagógicos e jurídicos, apontando que a norma pode entrar em conflito com diretrizes nacionais estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela Base Nacional Comum Curricular, que orientam conteúdos e competências a serem desenvolvidos nas escolas.

O debate envolve diferentes visões sobre o papel da educação. De um lado, há o entendimento de que as famílias devem ter protagonismo nas decisões sobre a formação dos filhos. De outro, especialistas destacam que a escola exerce uma função técnica e formativa, especialmente em temas relacionados à convivência social, respeito à diversidade e prevenção de preconceitos.

Outro ponto levantado é a distinção entre conceitos frequentemente confundidos no debate público. Enquanto a chamada “ideologia de gênero” é alvo de críticas por parte de determinados grupos, conteúdos ligados à diversidade e igualdade são tratados, em documentos oficiais, como elementos essenciais para a formação cidadã.

Além disso, há desafios práticos para a aplicação da lei. Escolas terão de adaptar seus planejamentos pedagógicos, definir como comunicar previamente cada conteúdo e lidar com situações em que alunos sejam impedidos de participar de determinadas atividades. Especialistas também alertam para o aumento da insegurança jurídica, já que instituições podem ficar divididas entre cumprir a legislação estadual e atender às diretrizes nacionais.

O tema também dialoga com questões sociais mais amplas, como desigualdade de gênero, violência e saúde pública, frequentemente abordadas no ambiente escolar de forma adequada à faixa etária dos alunos.

No campo político, a proposta foi apresentada pela deputada Ana Campagnolo e sancionada pelo governador Jorginho Mello. A iniciativa reflete a pluralidade de opiniões no parlamento, mas também evidencia a complexidade do tema.

A tendência, segundo análises do setor, é que a legislação seja alvo de questionamentos judiciais, repetindo o caminho de iniciativas semelhantes em outras regiões do país.

Diante desse cenário, o debate segue aberto, envolvendo educação, სამართ, sociedade e diferentes visões sobre o papel da escola na formação das novas gerações.