CASSAÇÃO

Justiça cassa sete dos nove vereadores de cidade do Paraná por compra de votos

Caso ocorreu em Francisco Alves e atingiu a maioria dos parlamentares eleitos para a Câmara Municipal

Justiça cassa sete dos nove vereadores de cidade do Paraná por compra de votos
Publicado em 05/06/2026 às 13:00

A Justiça Eleitoral determinou a cassação dos mandatos de sete dos nove vereadores eleitos em Francisco Alves, município localizado no interior do Paraná, após uma investigação apontar a existência de um esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024.

O caso foi revelado na série “O Valor do Voto”, da GloboNews, e teve como base uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). Segundo os investigadores, integrantes da coligação “Pra Frente Francisco Alves” utilizaram a distribuição de combustível para conquistar apoio eleitoral.

De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionava por meio de um posto de combustíveis localizado a cerca de 10 quilômetros da área urbana do município. Durante uma operação realizada na véspera das eleições de 2024, foram encontrados documentos, notas fiscais, anotações com nomes de candidatos e vales que permitiam a retirada de cinco e dez litros de gasolina ou etanol.

As investigações apontam que somente durante setembro de 2024 foram distribuídos aproximadamente 2.100 litros de combustível a eleitores.

Para o promotor Filipe Rocha e Silva, responsável pelo caso, a prática representou uma grave interferência no processo democrático.

Segundo o Ministério Público, o uso do poder econômico substituiu o debate de propostas e comprometeu a igualdade da disputa eleitoral. O órgão também destacou que a troca de benefícios por votos prejudica diretamente a legitimidade da representação política e o futuro da administração pública municipal.

Além das provas físicas encontradas durante a operação, a investigação reuniu evidências digitais obtidas a partir do celular apreendido de uma candidata da coligação. Entre os materiais analisados estavam mensagens e áudios que, segundo os investigadores, faziam referência à entrega de combustível a eleitores.

Apesar da condenação em primeira instância, os vereadores continuam exercendo seus mandatos normalmente enquanto aguardam o julgamento dos recursos apresentados à Justiça.

Durante reportagem exibida pela GloboNews, parlamentares citados na ação foram procurados para comentar as acusações. A maioria preferiu não se manifestar. Já o presidente da Câmara Municipal, vereador Cioni, negou qualquer participação em compra de votos e afirmou ser contrário a práticas de corrupção eleitoral.

O caso chama atenção por atingir quase toda a composição do Legislativo municipal e reforça o debate sobre a importância da fiscalização dos processos eleitorais e do combate à corrupção durante as campanhas.

FONTE: GloboNews