TARIFAÇO

Joinville e Jaraguá do Sul estão entre as cidades mais afetadas pelo tarifaço dos EUA

Aumento de 50% nas tarifas atinge exportações brasileiras e preocupa setores industriais catarinenses

Joinville e Jaraguá do Sul estão entre as cidades mais afetadas pelo tarifaço dos EUA
Foto: Redes Sociais
Publicado em 12/08/2025 às 7:06

Cinco dias após a entrada em vigor do aumento de 50% nas tarifas de importação de produtos brasileiros para os Estados Unidos — medida determinada pelo presidente norte-americano Donald Trump —, um levantamento do Estadão aponta que duas cidades de Santa Catarina estão entre as mais prejudicadas no país. Jaraguá do Sul ocupa a 6ª posição e Joinville aparece em 9º lugar no ranking dos municípios mais impactados.

O estudo, baseado em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), considerou os itens mais exportados pelo Brasil ao mercado americano em 2024 que passaram a ser alvo da nova taxação. Entre eles estão café, carne bovina, frutas, têxteis, calçados e móveis.

No topo da lista está Piracicaba (SP), que faturou US$ 1 bilhão em exportações de caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos. Jaraguá do Sul, por sua vez, registrou US$ 245 mil em vendas de máquinas e equipamentos elétricos, aparelhos de gravação e reprodução de som e imagem. Já Joinville exportou US$ 228 mil em caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.


Reação em Joinville

O secretário da Fazenda de Joinville, Fernando Bade, participou, em Brasília, de uma reunião da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ele apresentou um estudo sobre o impacto do tarifaço na cidade, que direciona cerca de 20% de suas exportações para os EUA, principalmente no setor automotivo e de compressores.

Entre os pedidos levados ao governo federal estão:

  • inclusão de produtos automotivos de linha média/pesada na lista de exceções já concedida à linha leve;
  • prazo de 90 dias para negociações;
  • evitar medidas de retaliação que possam encarecer insumos;
  • ações compensatórias temporárias, como retomada do Reintegra, desoneração da folha e linhas de crédito subsidiadas para exportadores.

Mobilização em Jaraguá do Sul

A Secretaria da Fazenda do município se reuniu com o setor fiscal para discutir estratégias diante do tarifaço e da futura implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá ISS e ICMS. O secretário Tiago Przywitowiski alertou que a mudança na tributação — que passará a considerar o local de consumo — pode reduzir a arrecadação local, já que Jaraguá é fortemente industrial, mas tem população menor.

Em 2024, a cidade exportou mais de US$ 1 bilhão, sendo 25% para os EUA. A WEG respondeu por 90% deste valor. Segundo Przywitowiski, há risco de cortes de empregos e efeito cascata sobre prestadores de serviço locais.


Impacto estadual

De acordo com Pablo Felipe Bittencourt, economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), os efeitos já são sentidos, com queda nos pedidos e embarques. A estimativa é de retração de até 0,3% no PIB catarinense em até dois anos.

Setores mais expostos incluem móveis e madeira, máquinas e motores, compressores, carnes, mel e pescado. Em alguns casos, empresas estão adotando férias coletivas ou demitindo funcionários, o que afeta toda a cadeia produtiva.

— Muitas empresas estão quase 100% voltadas ao mercado americano. Com a redução drástica dos pedidos, a dificuldade em exportar é imediata — afirmou o economista.