RESGATE

Historiador resgata prefeito “apagado” da história de Joinville

Emílio Stock Junior comandou o município entre 1950 e 1951, mas não consta nos registros da prefeitura

Historiador resgata prefeito “apagado” da história de Joinville
Foto: Arquivo Histórico de Joinville
Publicado em 25/01/2026 às 11:32

Um importante capítulo da história de Joinville veio à tona após uma descoberta do historiador e coordenador do Programa Memória CVJ (Câmara de Vereadores de Joinville), Patrik Roger Pinheiro. A pesquisa revelou que Emílio Stock Junior governou o município por aproximadamente nove meses, entre 1950 e 1951, mas não consta na lista oficial de prefeitos da cidade — nem nos registros digitais nem na galeria física da prefeitura.

A ausência chamou a atenção durante um levantamento histórico. Embora o nome de Emílio Stock Junior fosse conhecido nos registros da época, ele acabou “apagado” da memória institucional do município, mesmo tendo tomado decisões relevantes durante sua breve passagem pelo Executivo.

Uma família tradicional de Joinville

Emílio Stock Junior fazia parte de uma família tradicional e influente da cidade. Neto de Augusto Stock — vereador da 3ª Legislatura Monárquica — e filho de Emílio Stock Sênior, comerciante, empresário e ex-vereador, ele cresceu em um ambiente ligado ao desenvolvimento econômico e social de Joinville.

Apesar do histórico familiar na política, Emílio Junior optou por se dedicar aos negócios da família. Ainda assim, era uma figura conhecida e respeitada, frequentemente chamado de “doutor Emílio”, embora não haja registros formais de formação em Direito ou Medicina.

Como chegou à Prefeitura

Em março de 1950, o então prefeito João Herbert Érico Colin renunciou ao cargo para concorrer ao governo de Santa Catarina. Na época, não existia a figura do vice-prefeito. Pela legislação vigente, o presidente da Câmara deveria assumir, mas Rolf João Max Colin recusou.

Diante disso, os vereadores precisaram chegar a um consenso para indicar um nome. A escolha foi unânime: Emílio Stock Junior, mesmo sem trajetória política, assumiu a Prefeitura de Joinville.

Segundo o historiador, os alinhamentos políticos já estavam definidos, já que a Câmara possuía maioria da UDN, mesmo partido de João Colin. Além disso, Emílio já mantinha relação com a administração municipal, tendo doado terrenos estratégicos para a construção da Praça da Bandeira, inaugurada em 1951.

Atos e decisões como prefeito

Durante seu mandato, Emílio Stock Junior esteve à frente de decisões importantes. Em junho de 1950, decretou feriados municipais como o Dia de Finados, a Sexta-feira da Paixão e a Ascensão de Nosso Senhor.

No mês seguinte, sancionou uma lei que permitia, de forma excepcional, construções de madeira no Centro da cidade para atender à grande demanda causada pelas festividades do centenário de Joinville.

Prisão e polêmica

O período no cargo também foi marcado por um episódio polêmico. Em outubro de 1950, após uma discussão em um café da cidade envolvendo questões políticas nacionais, Emílio foi detido no então 13º Batalhão de Caçadores, atual 62º BI.

Segundo registros da imprensa da época, foi necessário um habeas corpus preventivo para sua liberação, com atuação direta do ex-prefeito João Colin como advogado.

Reconhecimento e legado

Emílio Stock Junior deixou a Prefeitura no início de 1951 e foi homenageado com um jantar na Sociedade Ginástica, registrado pelo Jornal de Joinville, que destacou sua postura prudente e dedicada à cidade.

Após o mandato, ele não voltou à vida política. Anos depois, seu nome foi eternizado na Escola Municipal Emílio Stock Junior, no bairro Vila Nova.

A descoberta foi possível graças ao trabalho contínuo do Programa Memória CVJ, que atua no resgate da história institucional de Joinville. Atualmente, a prefeitura afirma que a inclusão de novos nomes na lista oficial depende de estudos e comprovação documental — processo que ainda não foi iniciado.