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Golpe contra idosos em SC tem quase 300 vítimas e Justiça apreende carros de luxo

Nova fase da Operação Entre Lobos bloqueia até R$ 9 milhões e mira advogados suspeitos de dar continuidade ao esquema criminoso

Golpe contra idosos em SC tem quase 300 vítimas e Justiça apreende carros de luxo
Foto: Gaeco/ND Mais
Publicado em 21/01/2026 às 17:13

A nova fase da Operação Entre Lobos, deflagrada nesta terça-feira (20), voltou a expor um esquema criminoso que teria feito quase 300 vítimas idosas em Santa Catarina. A ação, conduzida pelo Ministério Público do Estado (MPSC), resultou no bloqueio de até R$ 9 milhões, na apreensão de quatro carros de luxo e no cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em seis municípios catarinenses.

As diligências ocorreram em Chapecó, São Miguel do Oeste, Caibi, Lages, Itajaí e São José, com atuação do Gaeco e apoio das polícias Militar e Civil. Segundo o MPSC, aproximadamente 280 pessoas em situação de vulnerabilidade podem ter sido prejudicadas pelo esquema.

De acordo com a investigação, esta etapa é um desdobramento direto da primeira fase da operação, realizada em julho do ano passado. Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram a criação de um novo escritório de advocacia, que teria assumido a atuação do grupo criminoso original de forma dissimulada.

Segundo o promotor de Justiça Edisson de Melo Menzes, o novo escritório se apresentava como independente e de boa-fé, mas mantinha ligações diretas com os investigados da fase inicial da operação, dando continuidade ao esquema.

Durante a ação, quatro veículos de luxo foram apreendidos em Lages. Conforme o Ministério Público, os automóveis pertencem ao advogado que teria assumido o comando do escritório ligado à organização criminosa após a primeira fase da investigação.

Além disso, a nova etapa revelou indícios de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Diante disso, a Vara de Organizações Criminosas determinou o bloqueio de valores que podem chegar a R$ 9 milhões, além de outras medidas cautelares.

Entre as determinações judiciais estão o monitoramento eletrônico de investigados, a suspensão de atividades de empresas envolvidas e a proibição de solicitação ou recebimento de valores por meio de alvarás judiciais ligados às empresas de fachada.

Ao todo, quatro advogados estão entre os principais alvos da operação, com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante o cumprimento dos mandados.

A Operação Entre Lobos investiga um esquema criado para aplicar golpes contra idosos por meio da compra de cessões de créditos judiciais, especialmente em ações bancárias. Segundo o Ministério Público, empresas de fachada eram utilizadas para dar aparência de legalidade às transações.

A investigação segue em sigilo e novas diligências não estão descartadas, inclusive para identificar outros possíveis envolvidos e apurar se o esquema pode ter feito ainda mais vítimas.