ESCALA 6x1
Fim da escala 6×1 pode retirar R$ 88 bilhões do PIB e eliminar 640 mil empregos no Brasil
Projeção do CLP indica queda de até 0,7% no PIB e efeitos diretos sobre comércio, agro e construção

Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) projeta impactos significativos para a economia brasileira caso o Congresso Nacional aprove o fim da escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho e um de descanso semanal. Segundo a entidade, a redução da jornada para 40 horas semanais pode resultar na perda de mais de 600 mil empregos formais e em uma queda de até 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a aproximadamente R$ 88 bilhões.
De acordo com a análise, a diminuição da jornada de trabalho pode comprometer a produção nacional e afetar diretamente o crescimento econômico do país. O CLP destaca que setores como comércio, agropecuária e construção civil seriam os mais impactados pela mudança.
No comércio, a projeção indica uma queda de 1,3% na produtividade do trabalhador, acompanhada de redução de 1,6% no emprego formal, o que representa a eliminação de cerca de 164,1 mil postos de trabalho. Na agropecuária, a perda de produtividade seria da mesma ordem, com redução de 28,4 mil empregos formais. Já na construção civil, a estimativa aponta queda de 1,3% na produtividade e a extinção de aproximadamente 45,7 mil vagas.
Considerando todos os setores da economia formal, o estudo estima a eliminação de mais de 600 mil empregos, além de uma redução de até 2% na produção do setor formal, resultado da diminuição das horas trabalhadas e da perda de postos de trabalho.
O CLP ressalta ainda que, caso o fim da jornada 6×1 ocorra sem redução proporcional dos salários mensais, o custo do trabalho por hora aumentaria automaticamente. Para algumas empresas, esse aumento poderia ser compensado por reorganização interna, redução de desperdícios ou adoção de novas tecnologias. No entanto, para outras, o cenário pode levar à compressão de margens, repasse de custos aos preços finais ou até à redução da escala de produção.
O estudo também cita a experiência de Portugal, que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas. Na ocasião, houve um aumento de 9,2% no salário-hora, acompanhado por uma queda de cerca de 1,7% no emprego e de 3,2% nas vendas. Segundo o CLP, a redução nas horas totais trabalhadas no país europeu chegou a 10,9%.
Para a entidade, os dados reforçam que mudanças na legislação trabalhista precisam ser amplamente debatidas, considerando não apenas os impactos sociais, mas também os efeitos econômicos e estruturais de longo prazo.



