ESCALA 6x1

Fiesc critica redução da jornada e alerta para impacto econômico em SC

Entidade estima perda de mais de 41 mil vagas em Santa Catarina nos próximos anos

Fiesc critica redução da jornada e alerta para impacto econômico em SC
Publicado em 29/05/2026 às 7:20

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, reagiu à aprovação, pela Câmara Federal, do projeto que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (27), a entidade classificou a proposta como “um equívoco que pode custar caro ao Brasil”.

O texto aprovado pelos deputados federais ainda precisa passar pela análise do Senado antes de seguir para eventual sanção.

Segundo a Fiesc, a medida pode provocar aumento expressivo nos custos das empresas, afetando diretamente a produtividade e a competitividade, especialmente em setores mais dependentes de mão de obra e expostos à concorrência nacional e internacional.

De acordo com estimativas apresentadas pela entidade, a proposta poderá resultar na perda de 41,4 mil vagas de trabalho em Santa Catarina nos próximos dois anos. Deste total, cerca de 19,1 mil postos seriam na indústria catarinense. A federação também calcula aumento de 11,4% nos custos do trabalho no setor industrial do estado.

O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, afirmou que a negociação coletiva seria o caminho mais adequado para discutir mudanças na jornada e nas escalas de trabalho, levando em consideração as características específicas de cada setor da economia.

Segundo ele, a imposição das mudanças por meio de lei federal não contempla as diferentes realidades enfrentadas por empresas e trabalhadores em diversos segmentos produtivos.

A entidade também demonstrou preocupação com o prazo previsto para adaptação das empresas à nova carga horária. Pelo projeto, a redução ocorreria em duas etapas de duas horas, sendo a primeira em até 60 dias e a segunda em até 12 meses.

Na nota, Gilberto Seleme ainda elogiou os deputados catarinenses que votaram contra a proposta e afirmou esperar que o Senado avalie os impactos econômicos e sociais da medida antes da votação final.

“Reconhecemos a coragem dos deputados catarinenses que votaram contra uma proposta discutida de maneira açodada e embalada por interesses eleitorais. Esperamos que a análise pelo Senado leve em consideração os impactos sociais e econômicos da medida. Pois, se seguir como está, isso vai custar caro ao Brasil”, declarou.