FERROVIAS

Ferrovia do Contestado pode voltar a operar após novos estudos em SC

Levantamento analisa viabilidade econômica, logística e ambiental do projeto

Ferrovia do Contestado pode voltar a operar após novos estudos em SC
Foto: Divulgação/Secretaria de cultura e turismo de Canoinhas
Publicado em 20/04/2026 às 12:00

A possível reativação da Ferrovia do Contestado voltou ao centro das discussões em Santa Catarina. Um estudo técnico está em andamento para avaliar se o trecho, atualmente desativado, pode voltar a operar, especialmente na região de Canoinhas.

A iniciativa partiu da prefeitura do município, que solicitou a realização de um EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental). O objetivo é analisar se a ferrovia ainda possui potencial logístico e econômico nos dias atuais.

O trecho em análise é considerado estratégico, ligando Caçador ao ramal de Mafra, com conexão até o Porto de São Francisco do Sul. A proposta busca avaliar fatores como demanda de uso, custos de reativação, traçado ferroviário e impactos ambientais.

Na prática, o estudo pretende responder se a retomada da ferrovia pode reduzir custos de transporte, melhorar a logística regional e impulsionar a competitividade econômica do Norte catarinense.

Apesar do interesse local, a decisão sobre a reativação não depende apenas do município. O trecho está sob concessão da Rumo até 2027, o que coloca o Ministério dos Transportes como responsável pelas definições finais.

O governo federal, inclusive, já iniciou estudos em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para avaliar a viabilidade de trechos ferroviários desativados em todo o país, incluindo a Ferrovia do Contestado.

Em nota, a concessionária informou que o trecho que passa por Canoinhas já estava desativado antes mesmo do atual contrato, após perder relevância com a implantação de outras rotas ferroviárias, como a Ferrovia Tronco Sul.

Além do aspecto econômico, a ferrovia carrega forte valor histórico. Sua construção, no início do século XX, esteve diretamente ligada à Guerra do Contestado, conflito que marcou o Sul do Brasil entre 1912 e 1916, motivado por disputas por terra e impactos sociais gerados pela obra.

Na época, comunidades que viviam na região foram deslocadas, o que desencadeou tensões e resultou em um dos episódios mais marcantes da história catarinense, com milhares de mortos.

Ao longo dos anos, a ferrovia também foi fundamental para o desenvolvimento econômico de cidades como Canoinhas, facilitando o transporte de produtos como madeira e erva-mate. Com a mudança na matriz de transporte, o trecho foi desativado na década de 1990.

Agora, mais de três décadas depois, a Ferrovia do Contestado volta ao debate como alternativa estratégica para o desenvolvimento regional, unindo passado histórico e перспективas de futuro para a infraestrutura catarinense.