ESPECIAL DIA DO PROFESSOR

“Fazer o outro se sentir parte do processo é imensurável”, afirma professora Débora Cristiano

Entre desafios, inovações e conquistas, a professora Débora compartilha os aprendizados ao longo de 26 anos de carreira

“Fazer o outro se sentir parte do processo é imensurável”, afirma professora Débora Cristiano
Foto: Arquivo Pessoal
Publicado em 04/11/2025 às 6:06

No especial do Dia do Professor, o MNDV conversou com Débora Mabel Cristiano, professora há 26 anos, responsável pela sala de informática pedagógica, atendendo alunos do 1º ao 9º ano. Em uma carreira marcada por desafios, inovação e dedicação, Débora reflete sobre o papel da tecnologia na educação, experiências marcantes e como transformar o aprendizado em algo significativo para todas as crianças e adolescentes.

ENTREVISTA
MNDV: O que mais te encanta em trabalhar na sala de informática pedagógica com alunos de idades tão diferentes, do 1º ao 9º ano?
Débora:
Nunca gostei de rotina e sempre busquei desafios e inovações. O universo da tecnologia digital desperta em mim exatamente isso: desafios que, por meio desses recursos, despertam maior interesse e atenção nos estudantes. A informática auxilia na percepção e na resolução de problemas reais, inclui os estudantes socialmente e contribui para o desenvolvimento do senso crítico e analítico. Além disso, promove a responsabilidade na utilização da internet e das ferramentas digitais, oferecendo feedbacks mais eficientes e rápidos. Trabalhar com tecnologia é ver o aprendizado se tornar mais dinâmico e motivador para todos.

MNDV: Como você enxerga o papel da tecnologia na educação atual e de que forma ela pode transformar o aprendizado dos alunos?
Débora:
A tecnologia oferece múltiplas formas de transformar o aprendizado. Ela torna o processo mais ativo, interativo, colaborativo e autoavaliativo. Pode complementar o ensino presencial, facilitando a dinâmica do aprendizado por meio do ensino híbrido, prática que se intensificou durante a pandemia. Com a tecnologia, o aluno participa mais ativamente, desenvolve autonomia, e o aprendizado deixa de ser apenas passivo para se tornar uma experiência significativa.

MNDV: Quais são os principais desafios de integrar o uso dos computadores e ferramentas digitais às atividades pedagógicas do dia a dia?
Débora:
Entre os principais desafios estão a desigualdade no acesso à tecnologia, seja em termos de infraestrutura ou internet, e a necessidade de formação continuada dos professores. Também há a adaptação das metodologias pedagógicas, a resistência à mudança por parte de alguns educadores e o risco de distração dos estudantes. Muitos professores ainda não se sentem preparados para utilizar as ferramentas digitais de forma eficaz. Integrar tecnologia exige um novo olhar sobre as práticas pedagógicas e a criação de aulas mais dinâmicas, o que pode ser difícil para aqueles que não foram formados nesse contexto digital.

MNDV: Há algum projeto ou atividade desenvolvida na sala de informática que te marcou de forma especial?
Débora:
Sim, muitos projetos me marcaram, mas um em especial foi quando iniciei minha efetivação há quase 16 anos na Escola Mulde Baixa. Desenvolvi um projeto no contraturno escolar de Informática Básica para a comunidade — pais, familiares, amigos e estudantes — com o objetivo de ensinar habilidades básicas de informática, desde ligar e desligar o computador até digitar e formatar textos. Tive 15 inscritos, com perfis que variavam de quem sabia um pouco até quem tinha medo de tocar no computador. Ao final do curso de seis meses, era perceptível o brilho nos olhos de todos, especialmente de duas alunas analfabetas que, finalmente, sentiram-se parte do mundo digital. Na formatura, elas disseram: “Agora vou conseguir mexer no meu celular com mais segurança e vontade.” Esse momento mostrou o valor imensurável de fazer o outro se sentir incluído e capacitado.

MNDV: Em sua opinião, o que mudou na relação entre professores e alunos com o avanço das tecnologias na escola?
Débora:
As tecnologias digitais tornaram o aprendizado mais interativo e dinâmico. O professor passa a atuar como mediador e os estudantes se tornam mais participativos. Ao mesmo tempo, surgem desafios, como a necessidade de adaptação contínua e a superação da desigualdade no acesso às ferramentas digitais. A tecnologia aproxima alunos e professores, mas exige planejamento, cuidado e responsabilidade.

MNDV: Você acredita que a tecnologia pode aproximar mais os alunos do aprendizado? Como busca despertar o interesse deles nas aulas?
Débora:
Sim, acredito que a tecnologia aproxima os alunos do aprendizado. Inserir ambientes virtuais, ferramentas de comunicação, lousas digitais, computadores, tablets, Chromebooks, celulares, plataformas de aprendizagem, inteligência artificial e realidade virtual ou aumentada ajuda a criar aulas mais atrativas e inclusivas. Tudo isso é tecnologia e pode transformar a forma como o estudante interage com o conhecimento. A chave é usar esses recursos para tornar o aprendizado mais participativo, criativo e significativo.

MNDV: Que mensagem você deixaria para os professores que ainda têm receio de utilizar recursos tecnológicos em suas aulas?
Débora:
A tecnologia não substitui o professor; ela é uma ferramenta para aprimorar o ensino e a aprendizagem. Serve para atingir objetivos pedagógicos e criar experiências significativas. O medo de errar é um obstáculo à inovação. Vejo a tecnologia como uma oportunidade de reinvenção e de criar aulas mais envolventes. Use-a para promover colaboração, participação ativa e estimular o pensamento crítico e criativo dos estudantes. Lembre-se: errar faz parte do aprendizado e da ousadia na vida.

MNDV: Para encerrar, compartilhe uma história ou momento marcante da sua trajetória como professora.
Débora:
Minha trajetória de 26 anos é marcada por muitos aprendizados, desafios, frustrações, risos e orgulho pelos alunos que passaram por minha vida. Trabalhei por 14 anos na Escola Mulde Baixa, com estudantes de diferentes níveis sociais e culturais, vindos de migrações diversas. Ali vivi experiências inesquecíveis, e hoje vejo esses mesmos alunos se tornando profissionais, pais de família e cidadãos conscientes. Cada sucesso deles me dá motivação para continuar nessa trajetória. Sou imensamente grata pelo que vivi e confio que Deus ainda me permitirá viver muito mais.

Com dedicação e paixão, Débora Mabel Cristiano mostra que a tecnologia na educação é uma poderosa aliada para tornar o aprendizado mais significativo, inclusivo e transformador. Sua trajetória inspira professores e estudantes, reforçando que educar é conectar conhecimento, emoção e inovação.