SANTA CATARINA

Fábrica alvo de polêmicas em SC é comprada por gigante do setor alimentício

Unidade de farinha de peixe passa para controle de grupo internacional com foco em economia circular

Fábrica alvo de polêmicas em SC é comprada por gigante do setor alimentício
Publicado em 01/05/2026 às 13:00

A fábrica de farinha de peixe Kenya, localizada em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, e conhecida por um histórico de críticas e denúncias ambientais, foi adquirida pela multinacional Nauterra. A unidade era anteriormente operada pelo Grupo Patense, que atualmente enfrenta um processo de recuperação judicial.

A negociação foi realizada no contexto dessa reestruturação financeira e, segundo a nova controladora, parte do pagamento ocorreu por meio da compensação de dívidas já existentes entre as empresas. A aquisição inclui a operação da indústria de farinha e óleo de peixe, que vinha sendo alvo de constantes reclamações por parte de moradores do bairro Cordeiros.

O principal motivo das queixas estava relacionado ao forte odor gerado pela atividade industrial, frequentemente descrito como invasivo e persistente nas áreas residenciais próximas. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, o local acumulou um histórico relevante de autuações administrativas, incluindo pelo menos três penalizações por poluição atmosférica.

O órgão ambiental estadual também apontou que recebia, em média, entre 15 e 20 denúncias por ano relacionadas à operação da fábrica, evidenciando a recorrência do problema ao longo dos anos. Além disso, a Vigilância Sanitária de Itajaí também já havia registrado ocorrências envolvendo a unidade.

Em comunicado oficial, a Nauterra destacou que pretende reestruturar a operação com foco na redução de impactos ambientais. A empresa afirma que a iniciativa está alinhada à sua estratégia de economia circular, baseada no reaproveitamento de resíduos para produção de farinha e óleo de peixe, contribuindo para a valorização de subprodutos e diminuição de danos ao meio ambiente.

Atualmente, a fábrica opera com a Licença Ambiental de Operação (LAO) vencida. O pedido de renovação já foi protocolado junto ao Instituto Itajaí Sustentável, que agora é o responsável pelo acompanhamento do processo, conforme determina a legislação vigente.

Segundo o INIS, caberá ao órgão municipal fiscalizar o cumprimento de exigências ambientais, incluindo medidas para controle de odores e monitoramento das atividades da empresa. A legislação também prevê prazos para adequações, que deverão ser acompanhados de perto pelas autoridades.

Apesar do histórico de problemas, o Instituto do Meio Ambiente informou que não houve registro de novas denúncias formais nas últimas semanas. Ainda assim, o órgão reforça a importância da participação da população na comunicação de irregularidades, destacando que essas informações são essenciais para direcionar ações de fiscalização e possíveis medidas corretivas.

A mudança de controle marca um novo capítulo para a indústria, que agora terá o desafio de conciliar atividade econômica com responsabilidade ambiental, sob maior atenção da comunidade e dos órgãos reguladores.