ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
Entre palavras, sons e emoções: Rodrigo Müller o professor que transforma vidas
Professor Rodrigo Müller fala sobre o poder da literatura, os desafios da educação e o papel transformador do professor na formação humana

Em homenagem ao Mês do Professor, o Mais Notícias do Vale conversou com Rodrigo Fernando Müller, educador apaixonado pela arte, pela comunicação e pela literatura. Poeta, músico e escritor, ele compartilhou um pouco de sua trajetória e suas reflexões sobre o papel transformador da educação na sociedade.
MNDV: O que o inspirou a escolher o magistério e, especialmente, a Língua Portuguesa e a Literatura como áreas de atuação?
Rodrigo: Desde a infância, sempre fui apaixonado por arte e pela natureza. Essa relação foi se intensificando na adolescência, quando descobri a música, o teatro e as artes visuais. Com o tempo, percebi que tudo o que me encantava estava ligado à comunicação — fosse pela arte, pela natureza ou pela palavra. Estudar a Língua Portuguesa e a Literatura me permitiu compreender como esses elementos dialogam entre si e como a arte é, essencialmente, uma forma de comunicação com o mundo e com nós mesmos.
MNDV: Como o senhor procura despertar o interesse dos alunos pela leitura?
Rodrigo: A literatura tem o poder de transformar olhares e despertar empatia. Ao ler, somos capazes de viver outras vidas, sentir o que o outro sente, compreender realidades diferentes da nossa. Tento mostrar aos alunos que ler é uma experiência sensorial — é “ver um filme” com o projetor mais moderno que existe: a imaginação. Ensinar a saborear uma história é educar para a sensibilidade, para que percebam o quanto a vida pode ter outros gostos e texturas.
MNDV: Quais desafios o professor de Língua Portuguesa enfrenta hoje, em um mundo dominado por telas e comunicações curtas?
Rodrigo: O maior desafio é fazer os alunos compreenderem que a comunicação vai além das regras gramaticais. Ela é a essência do ser humano — é o que nos permite entender e ser compreendidos. Vivemos tempos de pressa, em que se escuta pouco e se fala muito. Precisamos resgatar o valor da escuta, do diálogo e da empatia. Quanto melhor nos comunicamos, mais humanos nos tornamos.
MNDV: Há algum autor ou obra literária que o marcou e que costuma indicar aos alunos?
Rodrigo: Indico sempre O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon. A obra fala sobre um menino sensível e incompreendido, que encontra na educação diferenciada o caminho para descobrir seu potencial. Essa história ensina que todos temos talentos, e que, às vezes, só precisamos do método certo para florescer. É um livro tocante, impossível não se emocionar com o final.
MNDV: Como o senhor enxerga o papel do professor na formação de cidadãos críticos e conscientes?
Rodrigo: Ser crítico não é apontar defeitos, mas aprender a olhar sob diferentes ângulos. O papel do professor é ensinar o aluno a “contornar” o objeto de estudo, enxergando-o de diversos pontos de vista. Ensinar é formar pessoas autônomas, capazes de pensar, decidir e agir com consciência.
MNDV: Quais foram os momentos mais gratificantes da sua trajetória docente?
Rodrigo: Em mais de 20 anos de carreira, há inúmeros momentos marcantes. Mas nada supera o carinho dos alunos — o “oi, professor” na rua, o bilhete, a caricatura, o chocolate. Também é emocionante saber que ex-alunos estão na universidade, realizando sonhos. Isso mostra que aprenderam a acreditar em si e a transformar sonhos em metas. Esse é o verdadeiro sentido de ensinar.
MNDV: O que poderia ser feito para valorizar ainda mais o trabalho dos professores?
Rodrigo: A valorização passa pelo reconhecimento social e financeiro. Ainda há uma percepção distorcida sobre o papel do professor, como se ele não fosse capaz de gerar transformação social. É urgente resgatar a imagem do educador como o verdadeiro construtor de uma nação. Precisamos de uma campanha ampla para devolver ao professor o prestígio que ele merece.
MNDV: Que mensagem o senhor deixaria aos colegas e aos alunos neste Dia do Professor?
Rodrigo: Que possamos aprender uns com os outros, sempre. Que a Educação continue sendo o alicerce dos nossos sonhos e o acabamento da nossa humanidade. E como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Que não nos apequenemos! Sigamos grandes, visíveis e inspiradores. Feliz Dia dos Professores!
Sobre o Entrevistado
Rodrigo Fernando Müller é professor, poeta, músico multi-instrumentista, escritor e editor. Com mais de 20 anos dedicados à educação e à arte, atua na rede estadual de ensino de Santa Catarina e tem vasta produção literária e cultural. É autor de livros como “Haicai: Um Encontro com a Poesia Tradicional Japonesa” (2023) e “Beto-caranguejo e o Senhor Nardu” (2012), entre outros.



