MAUS-TRATOS
Entre baias apertadas e cães mutilados: os bastidores de um canil em SC
Denúncia anônima revelou cenas de maus-tratos, mutilações e matrizes exaustas em reprodução contínua

Uma denúncia anônima levou à descoberta de um canil clandestino em Araquari, no bairro Itinga, onde 12 cães de raça foram encontrados em condições de maus-tratos, alguns deles com orelhas cortadas. A operação, realizada na última sexta-feira (12), contou com a presença da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema), Polícia Civil e Polícia Científica, sob coordenação da delegada Tânia Harada.
Segundo a delegada, o cenário encontrado era de fêmeas exaustas após sucessivas gestações, confinadas em baias pequenas e inadequadas para o porte dos animais. A prática de corte de orelhas, além de cruel, é considerada crime.
Apesar das irregularidades, os cães não foram recolhidos, pois a Fundema não possui abrigo público. O responsável pelo local foi autuado pela Polícia Civil e notificado pela Fundema para realizar a castração e microchipagem imediata dos animais, além de doar os filhotes, já que a comercialização é proibida em Santa Catarina.
Durante a fiscalização, também foi registrada a suspeita de câncer mamário em uma cadela e a constatação de baias em espaço muito reduzido.
A Fundema reforça a importância da participação da comunidade em denúncias anônimas, que podem ser feitas pelo WhatsApp (47) 3305-4035. O mesmo contato pode ser usado por interessados em adoções responsáveis.
Em nota, a entidade foi categórica:
“Quem compra animais financia a prática cruel de exploração de matrizes. Muitos cães estão disponíveis para adoção. Adote, não compre.”
Contexto: caso semelhante em Joinville
O episódio reacende a discussão sobre canis clandestinos em Santa Catarina. Em agosto, o Ministério Público pediu que os donos de um canil em Joinville, onde mais de 220 cães de raça foram resgatados em março de 2024, paguem mais de meio milhão de reais em indenizações por maus-tratos. A ação inclui pedido de proibição de manter atividades com animais por pelo menos cinco anos.



