REESTRUTURAÇÃO

Empresas de Blumenau cortam profissionais de tecnologia

Philips e Central Ailos promovem reestruturações internas com impacto nas equipes de TI

Empresas de Blumenau cortam profissionais de tecnologia
Publicado em 24/02/2026 às 6:17

Duas grandes empresas com operação em Blumenau promoveram, nas últimas semanas, reestruturações internas que atingiram principalmente a área de tecnologia. Os movimentos envolveram cortes de pessoal e redirecionamento estratégico.

Na unidade local da Philips, houve ajustes na equipe. Nos bastidores, fala-se em um possível layoff — suspensão temporária de contratos — que teria alcançado entre 20 e 40 profissionais. A multinacional holandesa não confirmou os números, mas também não negou o movimento.

Em nota, a empresa informou que “analisa regularmente as suas operações para se alinhar com as necessidades do mercado”. A companhia também rebateu rumores de que a reestruturação estaria ligada à venda do Tasy, software de gestão hospitalar com origem em Blumenau, adquirido pela Philips em 2010 e negociado no fim do ano passado com a Bionexo por 161 milhões de euros.

Segundo a Philips, “os recentes ajustes na equipe não estão relacionados com a transação do Tasy e seguem os procedimentos comerciais normais, em conformidade com os regulamentos locais”. A empresa reforçou ainda o compromisso com inovação e ampliação do acesso à saúde.

Em outra frente, a Central Ailos, que presta serviços para 13 cooperativas de crédito do Sistema Ailos, demitiu cerca de 60 profissionais. A instituição não detalhou oficialmente os setores atingidos, mas apurou-se que houve cortes na área de tecnologia.

Em comunicado, a Central Ailos explicou que realizou um “redirecionamento estratégico, alinhado à evolução do negócio e às prioridades para os próximos ciclos”. A reorganização envolveu a descontinuidade de algumas atividades e a consequente adequação do quadro de colaboradores.

A entidade afirmou que conduz o processo “com responsabilidade, respeito às pessoas envolvidas e em conformidade com a legislação trabalhista”, oferecendo suporte durante a transição.

Para quem acompanha o setor de tecnologia, o movimento não chega a ser inesperado. O presidente do Blusoft, Cesar Griebler, avalia que reorganizações fazem parte do dinamismo natural do segmento.

Segundo ele, durante a pandemia houve uma aceleração intensa da digitalização nas empresas, elevando a demanda por profissionais e pressionando salários. Com a estabilização do mercado, os custos da mão de obra permaneceram elevados. Soma-se a isso o avanço da inteligência artificial, que tem automatizado tarefas repetitivas.

— A gente enxerga que esse movimento não necessariamente substitui as pessoas, mas elimina tarefas que são mais repetitivas — afirma.

Griebler não descarta que outras empresas possam promover ajustes semelhantes, seja por reestruturação tecnológica ou substituição de mão de obra mais cara por profissionais com menor custo.

— Eu entendo que são ciclos normais, que acontecem em qualquer empresa — conclui.