REJEIÇÃO

Empresários de SC reagem à tentativa de “importar” políticos para disputar eleição

Fiesc se posiciona contra possível candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina e defende representantes com raízes no estado

Empresários de SC reagem à tentativa de “importar” políticos para disputar eleição
Foto: Divulgação
Publicado em 18/06/2025 às 7:29

A possibilidade de Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026 provocou forte reação no meio empresarial catarinense. Nesta terça-feira (17), a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) divulgou nota pública rejeitando a ideia de candidaturas “importadas”.

A entidade afirma que os representantes catarinenses em Brasília devem ser escolhidos com base no mérito, no diálogo com a sociedade e na conexão com o estado, não por decisões externas ou por estratégia política.

“Para seguir avançando e enfrentar desafios como os de infraestrutura, precisamos de representantes com raízes no Estado”, diz a nota oficial da Fiesc.

Críticas ao modelo político de importações

A crítica da entidade vai além do caso específico de Carlos Bolsonaro. A nota é uma resposta à estratégia recorrente na política nacional de lançar candidatos em estados onde não possuem trajetória ou ligação direta, apostando apenas no capital político ou na visibilidade de sobrenomes.

Segundo a Fiesc, Santa Catarina é um dos estados que mais contribuem com tributos à União, e por isso merece representação legítima, com políticos que vivem a realidade local e compreendem os problemas enfrentados pelos catarinenses.

A posição da entidade ecoa também dentro do setor político catarinense, onde nomes locais já haviam demonstrado incômodo com a tentativa de imposição de candidaturas externas ao estado.

Indiciamento de Carlos Bolsonaro

Outro fator que pesa contra a tentativa de candidatura é o envolvimento de Carlos Bolsonaro no inquérito da “Abin Paralela”. O vereador foi indiciado pela Polícia Federal no mesmo processo que atingiu o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A investigação aponta o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento político durante o governo anterior.

O relatório final foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 12 e o indiciamento foi divulgado nesta terça-feira.

Com esse cenário, a proposta de candidatura de Carlos Bolsonaro por Santa Catarina perde força entre lideranças locais e aumenta a pressão para que o estado escolha nomes com trajetória regional consolidada.