DESVIO
Empresa investigada por desviar doações em faturas da Celesc atuava para 15 entidades
Hospitais de Joinville, Blumenau e Brusque estão entre as vítimas do esquema criminoso

A Polícia Civil de Santa Catarina revelou novos detalhes sobre o esquema de desvio de doações feitas por meio das faturas da Celesc. A empresa Slaviero Benefits, alvo da Operação Falso Samaritano, teria atuado para pelo menos 15 entidades dentro e fora do estado, desviando recursos que deveriam ser destinados a instituições filantrópicas.
Entre as vítimas confirmadas estão três hospitais de Joinville, Blumenau e Brusque, além de grupos como APAEs, Rede Feminina de Combate ao Câncer, Fundação Pró-Rim e até mesmo um suposto grupo de escoteiros, que não possuía vínculo com a União de Escoteiros do Brasil.
Segundo a Polícia Civil, em dois anos e meio, o esquema desviou cerca de R$ 4 milhões, enquanto apenas R$ 800 mil chegaram efetivamente às instituições.
Como funcionava o esquema
A empresa intermediária ligava para potenciais doadores oferecendo a opção de contribuição via fatura de energia. No entanto, ao repassar as informações para a Celesc, alterava os códigos das instituições, direcionando os valores para entidades ligadas ao grupo criminoso.
Além disso, a investigação aponta que a Slaviero também incluía cobranças não autorizadas nas contas de luz de consumidores.
– Temos a informação inicial de que até 15 entidades foram atendidas nesse modelo. Agora, na segunda fase da operação, vamos analisar o fluxo financeiro para entender se outras organizações também foram alvo dos desvios – explicou o delegado regional Rafaello Ross.
Prisões e investigações
Três pessoas foram presas, entre elas Slaviero Mario Bunn, responsável pela Slaviero Benefits. Elas devem permanecer reclusas inicialmente por cinco dias, mas a Polícia Civil avalia a possibilidade de novos pedidos de prisão preventiva.
Posição da Celesc
Em nota, a Celesc destacou que atua apenas como meio de arrecadação e não participa da gestão ou destinação dos recursos. A companhia informou ainda que, antes mesmo da operação policial, adotou medidas preventivas, como o reforço na fiscalização dos convênios, novos controles internos e a criação de um aviso automático ao consumidor sempre que houver inclusão de doações na fatura.



