ROMBO MILIONÁRIO
Empresa citada em suposto rombo milionário em Gaspar reage após silêncio
Ecosystem rebate acusações, nega superfaturamento e questiona metodologia usada pela CPI da Roçada

A Ecosystem Serviços Urbanos Ltda., uma das empresas citadas no relatório final da CPI da Roçada, instaurada pela Câmara de Vereadores de Gaspar, rompeu o silêncio e se pronunciou oficialmente sobre as acusações apresentadas no documento aprovado no último dia 12 de novembro.
Segundo o relatório, as irregularidades em contratos de limpeza e roçagem pública poderiam somar até R$ 20 milhões em prejuízo aos cofres municipais. A Ecosystem, junto da empresa Sanitary Serviços de Conservação e Limpeza Ltda., é apontada como possível beneficiária do suposto esquema.
Em nota enviada à imprensa, a Ecosystem afirmou que não teve acesso ao parecer técnico utilizado no relatório, apesar de — segundo a defesa — o pedido formal ter sido feito ainda no dia 5 de novembro.
A empresa também questionou os cálculos utilizados pela CPI, afirmando que a conclusão de superfaturamento, estimada em aproximadamente 80% do valor contratado, teria sido baseada apenas em uma medição isolada de cerca de R$ 90 mil. Ainda conforme a defesa, esse valor foi extrapolado para todo o contrato “sem qualquer metodologia científica”.
O advogado que representa a Ecosystem classificou a conclusão do relatório como “absurda, falsa e irresponsável”, reforçando que a acusação de superfaturamento de mais de R$ 22 milhões seria “totalmente inverídica”. A empresa afirma que só poderá apresentar comprovações e esclarecimentos após ter acesso ao documento completo.
A nota também destaca que a Ecosystem vem colaborando com investigações há pelo menos um ano e meio, prestando esclarecimentos ao Ministério Público e à Polícia Civil sobre os mesmos fatos analisados pela CPI. Segundo a defesa, a empresa segue à disposição para perícias, auditorias e confrontos técnicos sobre os serviços prestados.
🔍 O que descobriu a CPI
A CPI da Roçada investigou contratos de roçagem e limpeza pública firmados em gestões anteriores. Segundo os parlamentares, as irregularidades envolveriam manipulação de medições, validações administrativas indevidas e pagamentos acima do valor real do serviço executado.
Ao final dos trabalhos, foram identificados três possíveis núcleos dentro do esquema:
- Operacional: fiscais e representantes das empresas;
- Administrativo: diretores e secretários responsáveis por validar as medições e contratos;
- Político-hierárquico: gestores públicos que teriam permitido ou ignorado as irregularidades.
O relatório final será encaminhado ao Ministério Público, Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado, que agora devem analisar se haverá responsabilização civil, criminal ou administrativa dos envolvidos.
A Prefeitura de Gaspar informou que não irá comentar o caso. A empresa Sanitary também foi procurada e ainda não se manifestou.



