NEGÓCIOS
De executivo a bilionário do autoatendimento: a história por trás dos mercadinhos que não precisam de ninguém
Com mais de 570 unidades em operação, a Honest Market aposta em tecnologia e franquias para alcançar 5.000 lojas até 2030

A expressão “varejo de proximidade” nunca fez tanto sentido quanto para os minimercados autônomos que surgem dentro de condomínios e empresas. Sem caixa, sem funcionário e com pagamento direto pelo celular, esses espaços oferecem conveniência máxima: basta descer o elevador, pegar o que precisa e ir embora.
Foi nesse nicho que o paulista Murilo Specchio, ex-executivo de gigantes como Nextel, Telefônica e GVT, decidiu apostar. Em 2019, ele fundou a Honest Market Brasil, uma rede 100% franqueada de mercadinhos autônomos. A ideia simples — lojas sem atendente e totalmente baseadas em tecnologia — acabou se transformando em um negócio de crescimento acelerado.
Hoje, a Honest Market soma mais de 570 unidades, distribuídas em 80 cidades de mais de 20 estados, e deve encerrar 2025 com R$ 100 milhões em faturamento, um salto de 40% em relação ao ano anterior. Mas a meta é muito mais ousada: chegar a 5.000 unidades e R$ 1 bilhão em receita anual até 2030.
“Estamos só arranhando a superfície. Menos de 2% do mercado foi explorado”, afirma Murilo, que pretende dobrar o tamanho da rede até 2026, apostando em três frentes: abertura de novas lojas, aumento das vendas nas unidades já existentes e aquisição de concorrentes menores.
O modelo de franquia da Honest é um dos diferenciais. Em vez de cobrar por unidade, a empresa adota uma taxa única de R$ 35 mil, permitindo que o franqueado abra quantas lojas quiser. Além disso, a franqueadora não lucra na revenda de produtos. Em vez de um centro de distribuição próprio, a rede intermedeia acordos com grandes indústrias como BRF, Coca-Cola e Red Bull, garantindo melhores condições de compra diretamente para os franqueados.
A perda média das lojas — incluindo furtos, validade vencida e quebras — é de apenas 2,5% do faturamento, índice controlado com o uso de câmeras, inteligência artificial e até apoio de síndicos. “Dois anos atrás, isso era a principal objeção. Hoje, nem aparece mais. O mercado está mais educado”, explica o fundador.
Inicialmente focada em condomínios residenciais, a rede agora cresce também no setor corporativo, que oferece mais estabilidade e menor risco de quebra. Só em 2024, 35% das novas unidades foram abertas em empresas, universidades e hospitais.
Para Murilo, o potencial é gigantesco: o Brasil tem cerca de 20 mil minimercados autônomos, mas o mercado comporta mais de 1 milhão de pontos. “A consolidação é inevitável — e queremos liderar esse movimento”, diz ele.
De um executivo inquieto a fundador de uma rede bilionária, Murilo Specchio prova que inovação e conveniência podem transformar um simples “mercadinho honesto” em uma das histórias de sucesso mais promissoras do varejo brasileiro.



