REFERÊNCIA

Curitibanos se torna referência nacional em ressocialização de internos

Mais de 80% dos reeducandos estão em atividade no sistema prisional da cidade

Curitibanos se torna referência nacional em ressocialização de internos
Foto: Prefeitura de Curitibanos, Reprodução
Publicado em 10/07/2025 às 12:29

Curitibanos, no Meio-Oeste de Santa Catarina, se destaca nacionalmente por seus altos índices de reintegração social de pessoas privadas de liberdade. Segundo a Secretaria de Estado da Justiça e Reintegração Social (Sejuri), a unidade prisional localizada em São Cristóvão do Sul conta atualmente com 1.066 internos, sendo que 883 deles — ou 82,83% — estão envolvidos em atividades laborais.

Os reeducandos atuam em diferentes áreas, como fabricação de estofados e camas box, reciclagem de plásticos, marcenaria, confecção têxtil, metalurgia, agropecuária e até mesmo na produção de cabos e utensílios para exportação. Além disso, há convênios com empresas terceirizadas e entes públicos, como a Prefeitura de Curitibanos, permitindo que os internos prestem serviços de limpeza urbana, saneamento e manutenção de vias.

Um dos destaques é o Programa Bota-Fora, no qual os internos contribuem com a limpeza urbana da cidade em troca da remissão de pena. O prefeito de Curitibanos, Kleberson Luciano Lima, destaca a importância da parceria:

“Temos um convênio há mais de 10 anos com os reeducandos. Curitibanos hoje é uma cidade moderna, limpa e bem cuidada, porque também contamos com a contribuição deles.”

Histórias de ressocialização

Casos concretos de transformação reforçam a efetividade do modelo. Um dos exemplos é o de I.Z.S., que ingressou na oficina de estofados da penitenciária em 2015, conquistou o livramento condicional e, em liberdade, foi contratado pela mesma empresa onde trabalhou durante o cumprimento da pena.
Outro caso é o de B.M.O., que também foi recontratado por uma empresa parceira e vive hoje em liberdade há dois anos, em Curitibanos.

“Ele é a prova de que a ressocialização é possível quando há oportunidade e apoio”, afirma o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Para a juíza Ana Cristina de Oliveira Agustini, ex-titular da Vara Regional de Execuções Penais de Curitibanos, é preciso olhar o cárcere como espaço de transformação:

“O trabalho devolve ao indivíduo não apenas uma ocupação, mas o senso de utilidade social e autoestima.”

Modelo reconhecido nacionalmente

Entre 2017 e 2018, a unidade chegou a registrar 100% de internos em atividade laboral. O sucesso do programa tem chamado atenção de gestores penitenciários de vários estados brasileiros, que já enviaram comitivas para conhecer de perto o sistema, incluindo representantes da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPEN).

O modelo adotado em São Cristóvão do Sul reforça a ideia de que a dignidade, o trabalho e a capacitação profissional podem ser pilares eficazes para a ressocialização e um recomeço digno para aqueles que buscam uma nova chance.