GUERRA
Críticas internas e internacionais marcam nova ofensiva de Israel em Gaza
Governo Netanyahu aprova plano para ocupar Cidade de Gaza; Reino Unido, ONU, China e Turquia reagem com forte oposição, enquanto famílias de reféns protestam nas ruas

O governo de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, enfrenta duras críticas após aprovar um plano para expandir a ofensiva militar sobre a Faixa de Gaza. A proposta, confirmada pelo próprio premiê na última quinta-feira (7), visa ocupar a Cidade de Gaza, centro do território palestino, em uma operação que pode durar até cinco meses.
Internamente, o plano foi recebido com protestos de famílias de reféns ainda mantidos pelo Hamas e resistência de parte da cúpula militar israelense. O comandante das Forças Armadas, Eyal Zamir, declarou-se contrário à ofensiva, alertando para os riscos à vida dos reféns e ao esgotamento das tropas. Mesmo assim, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército cumprirá todas as ordens emitidas pelo governo.
Externamente, o posicionamento do governo israelense gerou reações imediatas. O Reino Unido classificou a decisão como “errada”, pedindo que Israel a reverta. A China expressou “profunda preocupação”, enquanto a Turquia condenou a expansão militar e cobrou o cessar-fogo e negociações pela Solução de Dois Estados.
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, também se manifestou, afirmando que a nova escalada poderá resultar em mais mortes e deslocamentos forçados. Segundo ele, a decisão ignora recomendações da Corte Internacional de Justiça, que determinam o fim da ocupação de Gaza.
Protestos tomaram as ruas de Israel após o anúncio. Manifestantes exigiram o retorno imediato dos reféns em poder do Hamas, estimados em cerca de 50, dos quais 20 estariam vivos. A polícia reprimiu os atos com balas de borracha e bombas de efeito moral.
A nova ofensiva militar acontece em meio à divulgação de vídeos chocantes que mostram reféns em condições físicas graves. As imagens geraram indignação pública e influenciaram a decisão do governo israelense de intensificar o conflito.
Em comunicado oficial, o gabinete de Netanyahu destacou que a decisão foi tomada por ampla maioria e baseia-se em cinco princípios para encerrar a guerra: o desarmamento e desmilitarização do Hamas, o retorno dos reféns, o controle de segurança israelense sobre Gaza e o estabelecimento de um governo civil alternativo à Autoridade Palestina e ao próprio Hamas.
A situação humanitária na Faixa de Gaza continua crítica, com mais de um milhão de pessoas vivendo na Cidade de Gaza, área diretamente afetada pelo novo plano. Apesar da promessa de fornecimento de ajuda humanitária durante a operação, a comunidade internacional teme um agravamento da crise e novas tragédias civis.



